julho 26, 2008
Recordações em dia sombrio

26 de Julho

6 anos
PhotobucketO dia amanhece sem Sol e com céu enevoado, afinal estou no Inverno, cinzento como a mente talvez porque sei o que tenho a fazer o que tenho de escrever mas  não sei como e, inevitavelmente, recordo uma das mais enigmáticas frases que um dia escrevi influenciado pela escrita de Lobo Antunes: aquela hora já provável naquela improvável tarde de Sexta-feira. Lembro-me que àquela hora estava a aparar a barba no "Celestino barbeiro" e que pessoa respeitável no burgo me chamou de lado para me comunicar que o seu companheiro de profissão Zé Neves, meu pai, tinha acabado de falecer. Não fixei a hora nem me interessa para nada saber, sei que era hora mais que provável e que se não fosse naquela seria noutra, mas o que não entrou nas probabilidades que antes estabeleci é que fosse naquela Sexta-feira, logo naquela tarde em que tinha pensado ir dar umas tesouradas à barba e seguidamente rumar à Clínica de Repouso lá na ditosa Santa Comba Dão onde meu pai estava acamado havia uns dias. Quis a tal hora provável chegar mais cedo e impedir-me de ir, mas nem por isso me lamentei porque uma coisa que esta mente casmurra mas não obtusa não suporta, tornando-se-lhe custoso e revoltante, é ver como a doença nos rouba lentamente a vida de um modo tão indigno que a leva a pensar, à tal mente que ainda me acompanha, que a passagem jamais pode ser atribuída a um bom deus omni isto e aquilo. A folha de Julho marcava o dia 26 e estávamos no ano de 2002, uma Sexta-feira, curiosamente três semanas depois de ter ido oferecer uma rosa para assinalar os 26 anos da partida da Rosa, minha mãe, e outras três (mais três dias) antes de rumar a estas paragens.

31 anos
Não podia deixar de me aflorar à mente, e pela primeira vez aqui no Voz creio eu, o nascimento de um dos meus sobrinhos neste dia de 26 de Julho, do ano de 1977, ao qual fiquei ligado por ter acompanhado meu irmão e minha cunhada na viagem para a Maternidade. Não sei se a mente me irá atraiçoar mas creio estar ciente que tudo teria começado às primeiras horas da madrugada do dia 25 (ou as últimas de 24) quando partimos para Coimbra (nesta altura eu andava por lá) e depois de termos internado a futura mamã rumámos ao Calhabé onde no número 6 da Travessa Dr. Elísio de Moura eu possuía quarto alugado em conjunto com outro colega e amigo. Meu irmão por lá se recolheu nesse resto de noite, mas só na Teça-feira é que serenou quando lhe anunciaram que era pai de um rapaz. Hoje meu sobrinho festeja o 31º aniversário e então aqui seguem os votos de parabéns que, curiosamente, não vão atravessar o Atlântico visto estarmos do mesmo lado embora ele esteja bem longe lá mais para norte.

54 anos
Este 26 de Julho é na verdade rico em lembranças. Por linhas travessas hoje fiquei a saber que este 26 de Julho é considerado marcante na vida de Cuba já que foi neste dia do ano de 1953 que Fidel e companheiros tentaram um primeiro derrube do ditador Fulgêncio Baptista no célebre ataque ao quartel de Moncada em Santiago de Cuba. Apesar de ter resultado em fracasso, este assalto de há 55 anos daria mais tarde os seus frutos com a vitória da Revolução. Soube-o e trago-o aqui a lume porque, aqui é que vem a lembrança dos 54, o amigo Mário da Toca do Lobo mo disse em convite endereçado para assistir à sua festa de aniversário já que foi neste dia 26 de Julho mas do ano seguinte, 1954, que lá pelo Bairro de Paranhos na Invicta cidade do Porto este Dragão que devia ser do "salgueiral" viu pela  primeira vez a luz do dia. Parabéns caro amigo e que o novo ciclo começado seja de Paz rodeada de felicidade e que, em pedido nada egoísta, ainda andemos por cá mais uns anos para continuarmos a trocar mensagens.

Neves, AJ | julho 26, 2008 01:04 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt


Comentários

desculpa amigo, mas não pude deixar de soltar uma lágrima sentida. Aquele abraço. Mario

Afixado por: mario em julho 28, 2008 07:33 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?