26 de Julho
6 anos
O dia amanhece
sem Sol e com céu enevoado, afinal estou no Inverno, cinzento como a mente talvez porque sei o que tenho a fazer o que tenho de
escrever mas não sei como e, inevitavelmente, recordo uma das mais enigmáticas frases que um dia
escrevi influenciado pela escrita de Lobo Antunes: aquela hora já provável
naquela improvável tarde de Sexta-feira. Lembro-me que àquela hora estava a
aparar a barba no "Celestino barbeiro" e que pessoa respeitável no burgo me
chamou de lado para me comunicar que o seu companheiro de profissão Zé Neves,
meu pai, tinha acabado de falecer. Não fixei a hora nem me interessa para nada
saber, sei que era hora mais que provável e que se não fosse naquela seria
noutra, mas o que não entrou nas probabilidades que antes estabeleci é que fosse
naquela Sexta-feira, logo naquela tarde em que tinha pensado ir dar umas
tesouradas à barba e seguidamente rumar à Clínica de Repouso lá na ditosa Santa
Comba Dão onde meu pai estava
acamado havia uns dias. Quis a tal hora provável chegar mais cedo e impedir-me
de ir, mas nem por isso me lamentei porque uma coisa que esta mente casmurra mas
não obtusa não suporta, tornando-se-lhe custoso e revoltante, é ver como a
doença nos rouba lentamente a vida de um modo tão indigno que a leva a pensar, à
tal mente que ainda me acompanha, que a passagem jamais pode ser atribuída a um
bom deus omni isto e aquilo. A folha de Julho marcava o dia 26 e estávamos no
ano de 2002, uma Sexta-feira, curiosamente três semanas depois de ter ido
oferecer uma rosa para assinalar os 26 anos da partida da Rosa, minha mãe, e
outras três (mais três dias) antes de rumar a estas paragens.
31 anos
Não podia deixar de me aflorar à mente, e pela primeira vez aqui no Voz creio eu, o
nascimento de um dos meus sobrinhos neste dia de 26 de Julho, do ano de 1977, ao
qual fiquei ligado por ter acompanhado meu irmão e minha cunhada na viagem para
a Maternidade. Não sei se a mente me irá atraiçoar mas creio estar ciente que
tudo teria começado às primeiras horas da madrugada do dia 25 (ou as últimas de
24) quando partimos para Coimbra (nesta altura eu andava por lá) e depois de
termos internado a futura mamã rumámos ao Calhabé onde no número 6 da Travessa
Dr. Elísio de Moura eu possuía quarto alugado em conjunto com outro colega e
amigo. Meu irmão por lá se recolheu nesse resto de noite, mas só na Teça-feira é
que serenou quando lhe anunciaram que era pai de um rapaz. Hoje meu sobrinho
festeja o 31º aniversário e então aqui seguem os votos de parabéns que,
curiosamente, não vão atravessar o Atlântico visto estarmos do mesmo lado embora
ele esteja bem longe lá mais para norte.
54 anos
Este 26 de Julho é na verdade rico em lembranças. Por linhas travessas hoje fiquei a
saber que este 26 de Julho é considerado marcante na vida de Cuba já que foi
neste dia do ano de 1953 que Fidel e companheiros tentaram um primeiro derrube
do ditador Fulgêncio Baptista no célebre ataque ao quartel de Moncada em
Santiago de Cuba. Apesar de ter resultado em fracasso, este assalto de há 55
anos daria mais tarde os seus frutos com a vitória da
Revolução. Soube-o e trago-o aqui a lume porque,
aqui é que vem a lembrança dos 54, o amigo Mário da
Toca do Lobo mo
disse em convite endereçado para assistir à sua festa de aniversário já que foi
neste dia 26 de Julho mas do ano seguinte, 1954, que lá pelo Bairro de Paranhos
na Invicta cidade do Porto este Dragão que devia ser do "salgueiral" viu pela
primeira vez a luz do dia. Parabéns caro amigo e que o novo ciclo começado seja
de Paz rodeada de felicidade e que, em pedido nada egoísta, ainda andemos por cá mais uns anos para
continuarmos a trocar mensagens.
Neves, AJ | julho 26, 2008 01:04 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt
desculpa amigo, mas não pude deixar de soltar uma lágrima sentida. Aquele abraço. Mario
Afixado por: mario em julho 28, 2008 07:33 PM