(cremos que sem morangos)
Virá a propósito desta exposição
de COLECÇÕES DE PACOTES DE AÇÚCAR (a realizar de
1 a 31 de Agosto na Biblioteca
Alves Mateus sita na ditosa Santa Comba Dão) dizer que pelo Brasil, pelo menos
por São Paulo, não existe o hábito de servir o cafezinho (café expresso, bica
para os portugueses) com pequenos pacotes de açúcar, afinal a dose que se acha certa para temperar aquela deliciosa bebida reconfortante quer no Verão quer no
Inverno. É verdade que já nos serviram café acompanhado de pacote de açúcar de
forma cilíndrica em que a altura é muito maior que a base para se poder chamar
de pacote e antes lhe chamássemos canudo fechado, mas por aqui a regra é facultar ao apreciador
de café um açucareiro como nos bons velhos
tempos em Portugal, opção a que não deve ser alheio o facto de o Brasil ser
grande produtor daquele alimento que desde há séculos o homem aprendeu a extrair
de uma cana.
Não podemos ser
exactos mas não erraremos muito se dissermos que conhecemos os pacotes de
açúcar há umas três décadas e meia (por baixo) sendo que ainda nos lembramos de a bica ser
servida em açucareiro e posteriormente com pequenos cubos de açúcar devidamente
embalados em doses individuais. O Pacote de Açúcar, inicialmente em doses de
12-15 gramas talvez (hoje menos de 10g), revolucionou a forma de trabalhar nos
estabelecimentos da especialidade (cafés e pastelarias, em suma a padaria
por terras brasileiras) transmitindo a ideia de maior higiene, ser de uma
praticidade espectacular e poupando inclusive uns cobres ao proprietário que não
se via obrigado a estar fornecido de quantidade substancial de recipientes, os
açucareiros, já o que se via bastas vezes era o empregado de mesa (o garçom)
ser obrigado a cirandar de mesa em mesa a perguntar a cada cliente se já se
tinha servido para que outro o pudesse fazer. Produto verdadeiramente
revolucionário, registe-se, portanto.
Resta ainda dizer que a colecção de
pacotes de açúcar se tornou possível graças à publicidade, comercial e
institucional, feita neles que por variadíssima permite aos entusiastas
coleccionadores se dedicarem a um passatempo que embora por vezes se
possa tornar dispendioso (depende dos objectos a coleccionar) tem a grande
vantagem de despertar a capacidade organizativa e de até juntar a família
à sua volta.
Neves, AJ | julho 25, 2008 11:30 AM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt