(opinião de Goulart Medeiros)
quem
é Goulart Medeiros
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Goulart
Medeiros Democracia Directa
O Anarquista
O Anarquismo
não significa misticismo, nem palavras vagas sobre a beleza, nem tão pouco
desespero. A sua grandeza é feita, antes de tudo, pela sua dedicação à causa da
humanidade oprimida. Traz em si a aspiração das massas para a verdade, o seu
heroísmo e a sua vontade concentrada; representa neste momento a única doutrina
social sobre que as massas podem apoiar-se com confiança para conduzir a sua
luta. Não basta que o anarquismo seja uma grande ideia e as anarquistas os seus
representantes platónicos. É necessário que os anarquistas tomem constantemente
parte do movimento revolucionário das massas e como cooperadores. Só então esse
movimento respirará plenamente a atmosfera verdadeira do ideal do anarquismo.
Nada se obtém gratuitamente. Todas as causas exigem esforços e sacrifícios. O
anarquismo deve encontrar uma unidade de vontade e uma unidade de acção e
alcançar uma noção exacta do seu papel histórico. O anarquismo deve penetrar no
coração das massas e fundir-se com elas.
Porque dispersos vemos a nossa influência reduzida no decurso das lutas, ainda
para mais quando somos poucos; porque dispersos vemos a nossa capacidade
individual reduzida a nada, pois trabalhando sozinhos, sem projectos, vamos
observando tudo sem capacidade de agir voltando para casa desmotivados e sem
ânimo, – por vezes, alguns companheiros decidem juntar-se a projectos de outras
tendências, com as quais mantêm desacordos irreconciliáveis –, propomos nos auto
organizar. Queremos que o Movimento Anarquista volte às ruas, às fábricas, às
comunidades, às escolas.
Queremos que ele seja uma força revolucionária que combata o capitalismo e todo
o autoritarismo injustificável, aplicando-lhe as armas da acção directa das
massas, horizontalidade, solidariedade, autogestão, liberdade, igualdade e
federalismo.
Achamos que um trabalho preparatório é condição absoluta para a vitória das
lutas sociais. Será, pois, preciso realizar uma estratégia revolucionária de
classe e é disso que dependerá, num grau considerável, o futuro do movimento. É
pois preciso que nos organizemos. Não queremos ser nenhuma vanguarda iluminada,
senão promotores da auto organização dos trabalhadores e suas comunidades, por
isso defendemos uma organização que seja um meio e nunca um fim.
Convém, no entanto, ressalvar que pretendemos ser um grupo de luta de classes,
que se pode designar anarquistas livres.
Somos anti-capitalistas, o que significa que consideramos que a actual
organização da sociedade, baseada na exploração do trabalho assalariado, tem de
desaparecer. Significa também que, embora combatendo as manifestações mais
extremas do capitalismo, as grandes corporações, os grandes centros regionais e
mundiais que ditam as políticas em todo o globo, somos contrários às formas mais
arcaicas de exploração, capitalistas ou não capitalistas. Não aceitamos defender
os pequenos capitalistas contra os grandes, ou os capitalistas nacionais contra
os estrangeiros à custa da traição aos trabalhadores, como tem sido princípio do
reformismo e da esquerda autoritária.
Igualmente, fica bem claro para nós que nenhuma sociedade instaurou até hoje
qualquer forma de socialismo ou de comunismo. O que se tem como sociedades onde
reina o «comunismo», actualmente, como a República Popular da China, a Coreia do
Norte, Cuba e outros casos, são apenas exemplos de uma forma de capitalismo, o
capitalismo de estado, em que uma oligarquia decide em nome do proletariado, o
qual é espezinhado e humilhado constantemente.
Neves, AJ | janeiro 13, 2008 05:22 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt