janeiro 13, 2008
Precisa-se de novas lutas

(opinião de Goulart Medeiros)

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GOULART MEDEIROS

Precisa-se de novas lutas

Há muito tempo que os anarquistas portugueses são atacados por essa doença terrível: a desorganização.

 

quem é Goulart Medeiros
goulartmedeiros@hotmail.com
Goulart Medeiros – Democracia Directa
O Anarquista

O ideal do anarquismo é rico na sua multiplicidade, mas o papel dos anarquistas nas lutas sociais é muito pobre em Portugal, senão nulo. O seu fim deveria ser ajudar as lutas sociais a entrar na via da luta emancipatória e da edificação da sociedade vindoura, e enquanto o movimento das massas não trilhar o caminho da colisão decisiva, o papel dos anarquistas devia centrar-se na cooperação com os movimentos sociais, ajudando-os a interpretar a significação da luta que as espera, a definir as obras a realizar e os seus objectivos, a tomar as necessárias disposições de combate e a organizar as suas forças, bem como a combater as tendências centralizadoras dos políticos profissionais oportunistas que sempre espreitam para tomar as rédeas dos movimentos sociais. Se as lutas sociais passaram para uma etapa decisiva, então, os anarquistas devem estar prontos e precipitar-se nela sem perderem um instante; deverão fazer tudo o que depender deles para sustentar os primeiros ensaios construtivos, procurando firmemente que o caminho conduza às aspirações essenciais dos trabalhadores e ou comunidades. Devemos promover, em todas as ocasiões, no seio dos trabalhadores e do povo os ideais de auto organização e de autogestão.
O que vemos hoje, na realidade portuguesa, é um cenário onde os anarquistas estão completamente desligados das lutas sociais, totalmente ao contrário do que deveria ser a prática anarquista, isto apesar dos exemplos históricos de homens e lutadores como Emídio Santana, Manuel Joaquim de Sousa, Mário Castelhano ou Neno Vasco, ou de organizações como os anarco-sindicalistas da CGT, ou anarco-comunistas da UAP (União Anarquista Portuguesa) – que integrou a Federação Anarquista Ibérica. Grupos, homens e mulheres que lutaram pela emancipação integral dos trabalhadores, bem como foram bravos lutadores contra o fascismo. O ideal do anarquismo mobiliza o entusiasmo de muitos revolucionários sinceros, porém as formas mais frequentes de discurso explicitamente anarquista acusam ainda muitíssimas lacunas pois entram muito pelos lugares comuns abstractos e vagos e divagações por domínios que não têm nada a ver com o movimento social dos trabalhadores. Mas há um traço que sobressai bastante desses discursos – a alergia ou completa aversão à organização.
Há muito tempo que os anarquistas portugueses são atacados por essa doença terrível: a desorganização.
Este mal destruiu neles a necessidade e o vigor de um pensamento concreto e condenou-os à inactividade em momentos importantes da luta social. Com a desorganização, advém a irresponsabilidade, e juntas, conduzem ao empobrecimento da ideia e à nulidade em matéria prática. A organização deverá vir e virá, ligando entre si todos os que tomam seriamente o anarquismo, que são realmente dedicados à revolução e ás lutas sociais.
Outra enfermidade grave que assola o anarquismo é a abstracção em que o mergulharam pela irrupção de tendências que pouco têm a ver com o anarquismo e mais com um sentimento liberal burguês: desde os niilistas, aos existencialistas, aos anarco-capitalistas, aos primitivistas.

 

Neves, AJ | janeiro 13, 2008 05:18 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt


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