(opinião de Goulart Medeiros)
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Precisa-se de novas lutas Há muito tempo que os anarquistas portugueses são atacados por essa doença terrível: a desorganização.
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quem
é Goulart Medeiros
goulartmedeiros@hotmail.com
Goulart
Medeiros Democracia Directa
O Anarquista
O ideal do
anarquismo é rico na sua multiplicidade, mas o papel dos anarquistas nas lutas
sociais é muito pobre em Portugal, senão nulo. O seu fim deveria ser ajudar as
lutas sociais a entrar na via da luta emancipatória e da edificação da sociedade
vindoura, e enquanto o movimento das massas não trilhar o caminho da colisão
decisiva, o papel dos anarquistas devia centrar-se na cooperação com os
movimentos sociais, ajudando-os a interpretar a significação da luta que as
espera, a definir as obras a realizar e os seus objectivos, a tomar as
necessárias disposições de combate e a organizar as suas forças, bem como a
combater as tendências centralizadoras dos políticos profissionais oportunistas
que sempre espreitam para tomar as rédeas dos movimentos sociais. Se as lutas
sociais passaram para uma etapa decisiva, então, os anarquistas devem estar
prontos e precipitar-se nela sem perderem um instante; deverão fazer tudo o que
depender deles para sustentar os primeiros ensaios construtivos, procurando
firmemente que o caminho conduza às aspirações essenciais dos trabalhadores e ou
comunidades. Devemos promover, em todas as ocasiões, no seio dos trabalhadores e
do povo os ideais de auto organização e de autogestão.
O que vemos hoje, na realidade portuguesa, é um cenário onde os anarquistas
estão completamente desligados das lutas sociais, totalmente ao contrário do que
deveria ser a prática anarquista, isto apesar dos exemplos históricos de homens
e lutadores como Emídio Santana, Manuel Joaquim de Sousa, Mário Castelhano ou
Neno Vasco, ou de organizações como os anarco-sindicalistas da CGT, ou
anarco-comunistas da UAP (União Anarquista Portuguesa) – que integrou a
Federação Anarquista Ibérica. Grupos, homens e mulheres que lutaram pela
emancipação integral dos trabalhadores, bem como foram bravos lutadores contra o
fascismo. O ideal do anarquismo mobiliza o entusiasmo de muitos revolucionários
sinceros, porém as formas mais frequentes de discurso explicitamente anarquista
acusam ainda muitíssimas lacunas pois entram muito pelos lugares comuns
abstractos e vagos e divagações por domínios que não têm nada a ver com o
movimento social dos trabalhadores. Mas há um traço que sobressai bastante
desses discursos – a alergia ou completa aversão à organização.
Há muito tempo que os anarquistas portugueses são atacados por essa doença
terrível: a desorganização.
Este mal destruiu neles a necessidade e o vigor de um pensamento concreto e
condenou-os à inactividade em momentos importantes da luta social. Com a
desorganização, advém a irresponsabilidade, e juntas, conduzem ao empobrecimento
da ideia e à nulidade em matéria prática. A organização deverá vir e virá,
ligando entre si todos os que tomam seriamente o anarquismo, que são realmente
dedicados à revolução e ás lutas sociais.
Outra enfermidade grave que assola o anarquismo é a abstracção em que o
mergulharam pela irrupção de tendências que pouco têm a ver com o anarquismo e
mais com um sentimento liberal burguês: desde os niilistas, aos
existencialistas, aos anarco-capitalistas, aos primitivistas.
Neves, AJ | janeiro 13, 2008 05:18 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt