(opinião de Goulart Medeiros)
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Vivemos em dois mundos O anarquismo comporta em si dois mundos: o das ideias e o das acções...
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Goulart
Medeiros Democracia Directa
O Anarquista
O anarquismo
comporta em si dois mundos: o das ideias e o das acções, estando ambos
intrinsecamente ligados entre si. Assim, o anarquismo não é mais que uma análise
material de uma prática de luta social levada a cabo por trabalhadores ou
comunidades auto organizadas em defesa dos seus interesses e não em defesa de
interesses alheios, ou que lhes foram inculcados por partidos ou vanguardas
iluminadas.
Trabalhadores e comunidades em luta preocupam-se, naturalmente, mais com o lado
concreto e prático do anarquismo. O seu princípio essencial e fundamental é o
princípio da iniciativa revolucionária dos trabalhadores e a sua libertação
pelas suas próprias forças.
Todos os movimentos sociais revolucionários que se deram até aqui desenrolam-se
nos limites do regime capitalista e apenas têm tido uma influência escassa da
teoria e prática anarquista, excepção feita a Espanha (1936-1939), Ucrânia
(1917-1921) e México (1910-1920) – embora, com maior ou menor sucesso, com maior
ou menor influência dos anarquistas e suas organizações, todas as lutas da
classe trabalhadora, do passado e presente, são valiosas e delas se devem
retirar importantes ilações. Isto é bastante compreensível, pois as lutas
sociais e seus intervenientes agem não num mundo desejado, mas naquele que
existe à sua volta, estando diariamente em luta com a acção física e psicológica
de forças repressoras. O movimento anarquista actual, que tem uma fraca
expressão, pouco ajuda nas lutas sociais e os trabalhadores sofrem, assim,
constantemente a influência de todo o meio real do sistema capitalista e dos
grupos intermediários que lhes estão associados: sejam os partidos políticos que
advogam a luta reformista e parlamentarista; sejam os sindicatos manipulados ao
sabor dos interesses das classes dominantes e não dos trabalhadores, que de
resto poucas decisões têm na própria orgânica sindical, estando à mercê de
cúpulas dirigentes; sejam dos meios de comunicação social que constroem
realidades e verdades fictícias.
Neves, AJ | janeiro 13, 2008 05:15 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt