janeiro 13, 2008
Vivemos em dois mundos

(opinião de Goulart Medeiros)

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GOULART MEDEIROS

Vivemos em dois mundos

O anarquismo comporta em si dois mundos: o das ideias e o das acções...

 

quem é Goulart Medeiros
goulartmedeiros@hotmail.com
Goulart Medeiros – Democracia Directa
O Anarquista

O anarquismo comporta em si dois mundos: o das ideias e o das acções, estando ambos intrinsecamente ligados entre si. Assim, o anarquismo não é mais que uma análise material de uma prática de luta social levada a cabo por trabalhadores ou comunidades auto organizadas em defesa dos seus interesses e não em defesa de interesses alheios, ou que lhes foram inculcados por partidos ou vanguardas iluminadas.
Trabalhadores e comunidades em luta preocupam-se, naturalmente, mais com o lado concreto e prático do anarquismo. O seu princípio essencial e fundamental é o princípio da iniciativa revolucionária dos trabalhadores e a sua libertação pelas suas próprias forças.
Todos os movimentos sociais revolucionários que se deram até aqui desenrolam-se nos limites do regime capitalista e apenas têm tido uma influência escassa da teoria e prática anarquista, excepção feita a Espanha (1936-1939), Ucrânia (1917-1921) e México (1910-1920) – embora, com maior ou menor sucesso, com maior ou menor influência dos anarquistas e suas organizações, todas as lutas da classe trabalhadora, do passado e presente, são valiosas e delas se devem retirar importantes ilações. Isto é bastante compreensível, pois as lutas sociais e seus intervenientes agem não num mundo desejado, mas naquele que existe à sua volta, estando diariamente em luta com a acção física e psicológica de forças repressoras. O movimento anarquista actual, que tem uma fraca expressão, pouco ajuda nas lutas sociais e os trabalhadores sofrem, assim, constantemente a influência de todo o meio real do sistema capitalista e dos grupos intermediários que lhes estão associados: sejam os partidos políticos que advogam a luta reformista e parlamentarista; sejam os sindicatos manipulados ao sabor dos interesses das classes dominantes e não dos trabalhadores, que de resto poucas decisões têm na própria orgânica sindical, estando à mercê de cúpulas dirigentes; sejam dos meios de comunicação social que constroem realidades e verdades fictícias.

 

Neves, AJ | janeiro 13, 2008 05:15 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt


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