(a prece foi ouvida, ou lida, melhor dizendo)
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Senhor Zé
Pires |
Concentrado, com um Português Suave, talvez, fumegando entre dedos, o mestre repousa em rocha à beira do rio... a indispensável boina que cobre os cabelos grisalhos protege também os seus olhos de lince fixos na correnteza das águas onde mergulhou a isca. A cana, essa certamente repousa em forcalha qualquer de amieiro e o mais ténue dos movimentos do mais esperto dos barbos não escapará à sensibilidade de sua perna direita... seria Inverno, talvez, a atender p'la samarra vestida e de certeza, certezinha que era algures nas margens do Dão. |
Antes de mais, umas considerações... como prova testemunhal do simbolismo representado p'lo Senhor Zé Pires, quero contar-vos caros amigos leitores e leitoras, que como se gerou um movimento na minha Santa Comba natal à volta do texto publicado há uns dias... e posso jurar-vos de pé bem firme, porque como bem sabeis, não são estes meros 8 mil quilómetros atlânticos que vão impedir as ondas da rede das redes de chegarem até mim.
No entanto faltava uma foto, a foto do sr. Zé Pires que, para além de me embelezar o texto, vos descreveria a sua pessoa melhor que as minhas mil palavras. Tal como o exímio pescador, lancei o isco e fui feliz, aliás todos vamos ficar mais felizes ao reler o texto anterior, porque o amigo Zé Augusto presenteou-nos com uma foto espectacular de seu tio-avô.
Em carta electrónica e após os tradicionais cumprimentos e agradecimentos, o Zé Augusto, recorda-me que a velhinha foto foi tirada por meu irmão Assis e se a citação aqui é feita não é por motivos de exultação ao sangue, antes sim como prova de gratidão por ele ter tornado possível este post. Em prosa fluida e agradável, a merecer convite para se juntar ao Voz do Seven, o chefe Zé (interrompo para enviar aquele abraço ao chefe Lemos) relata-nos ainda na sua mensagem algumas passagens com seu tio dignas de serem publicadas e assim, caro Zé Augusto, com o devido respeito...
"... falando do Zé Pires... lembro com saudade muitas e muitas vezes, foi realmente a pessoa que mais me marcou a infância. Fui seu companheiro de quarto durante muitos anos, aluno atento na arte da pesca, damas e xadrez, seu "perdigueiro" em muitas saídas de caça, recordo-o no esplendor das suas barbas brancas, no dedilhar a viola sentado na beira da cama e de cigarro ao canto da boca ou no contemplar tranquilo das águas do Rio Dão esperando que algum barbo picasse..."
O Zé finaliza com o melhor dos parágrafos, talvez aquele que na verdade me escapou no texto que redigi...
"... aquele homem bom viveu a vida que sempre quis viver, com dificuldades às vezes, incompreendido outras, mas sempre livre, sempre ele próprio."
Mais não digo...
Neves, AJ | novembro 17, 2006 04:36 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt