AS HISTÓRIAS DE JOÃO DE JESUS
Tratando da saúde a barbos, bogas e companhia
A tarde estava cálida convidando à letargia na espreguiçadeira estrategicamente colocada no recanto mais fresco e arejado do quintal.
Mas tinha que optar!
Há muito que dedico parte dos tempos livres à prática da pesca desportiva, que considero um excelente linimento para atenuar o
stress provocado pela agitação do quotidiano.
Peguei no material e fui à pesca. Dirigi-me para um local do rio que conheço sobejamente,
onde as águas correm docemente, os salgueiros e amieiros se entrelaçam e que as libelinhas sobrevoam num vai e vem azafamado.
Atrevo-me a garantir que os ciprinídeos ali residentes terão travado acesa luta para conseguir o seu "apartamento" em zona tão paradisíaca.
Fiz a minha prospecção, instalei-me confortavelmente e depressa verifiquei que não estava só! Na margem oposta, um grupo de jovens recebia despreocupadamente os raios emitidos pelo astro-rei, não se preocupando minimamente com os riscos do tão apregoado buraco na camada de ozono.
Calculei que estariam a preparar mais um mergulho que me tiraria hipóteses de poder testar a nova essência adicionada ao engodo a conselho dum amigo experiente.
Apesar desse receio arrisquei e lancei as bolinhas aromáticas que lentamente foram peregrinando, até se imobilizarem no fundo xistoso. Os "habitantes" locais não tardaram a manifestar a sua presença e um pequeno barbo mais
ousado não hesitou em provar a tentadora larva escarlate.
É meu hábito e felizmente da maioria dos amantes da pesca desportiva, devolver ao seu meio os exemplares capturados. Foi o que fiz após alguns momentos de prazer sentido pela luta oferecida pelo prisioneiro. Os acidentais assistentes naturalmente desconhecedores desse ritual, comentaram em surdina o "azar"!
Verifiquei que a nova essência resultava e as "ferragens" registavam-se a uma cadência muito animadora, tendo para com todos os simpáticos animais o mesmo tratamento indiscriminado:
devolvê-los à água!
Porém, esta atitude intrigou seriamente os meus observadores, que apercebendo-se da minha
"loucura" comentavam que o "tipo devia ser doido". E tal como S. Tomé, um dos mais incrédulos afastou-se do grupo, atravessou a corrente sem perturbar a minha actividade piscatória e, com nítida intenção de ver para crer, postou-se a meu lado esperando poder confirmar a suspeitada demência.
Não esperou muito tempo! Mais uma captura e a teatralização que me ocorreu fazer deixou o meu observador sem a mínima dúvida!
Pedi-lhe que me segurasse a cana enquanto eu apressadamente procurava nas gavetinhas do "panier", algo que fingi ser muito importante, mas que obviamente não encontrei.
Libertei o pobre bicho, enquanto lamentava
em voz bem audível
ter
esquecido o frasquinho de mercurocromo com que costumava desinfectar os mais gravemente feridos.
O bom do rapaz juntou-se ao grupo e sem qualquer dúvida afirmou peremptório: Olhem que o tipo é mesmo doido!
Eu, escudando-me no tronco dum choupo, ri com muita satisfação.
João de Jesus
Coimbra
quem
é João de Jesus
HISTÓRIAS DE JOÃO DE JESUS
joaojesus_3645@clix.pt
Neves, AJ | outubro 1, 2006 08:30 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt
Para além de me sentir na "obrigação" de te dar as boas vindas, caro João, escrevo este comentário para te "contrariar" um pouco nesse conceito de pesca desportiva... esportiva (como por aqui se diz)uma ova... ora perguntem lá a barbos,bogas e companhia se consideram essa coisa de serem fisgados pelas beiças como um desporto.
Bom humor é preciso...
Abraço e manda histórias p'ra malta se divertir"