A partida aconteceu há 4
anos (tantos quantos já leva a minha permanência por terras brasileiras), mas eu aqui falo daquela que, de modo drástico, chamamos de partida ou viagem derradeira.
Materialmente até sabemos que é, todavia, e tentando manter o próprio equilíbrio, a mente humana criou mecanismos
sábios de
modo a suavizar essa ausência física e permanente e muitos de nós, mortais viventes,
acreditam que
essa ida será apenas o findar da nossa vida terrena e o começar de outra...
que assim seja, consoante a vontade, a esperança ou fé de cada um.
Quanto a mim, bem, a minha mente diz-me que a partida é na realidade uma ida embora após termos cumprido a nossa "obrigação" terrena, é essa viagem sem retorno que a lei da vida (ou da sobrevivência da espécie humana) determina que seja cumprida, bastando-me acreditar no que mais desejo que é perpetuar as memórias... em constante aprendizagem, aprendo como enfrentá-las e a cantá-las em
oração a meu jeito de modo a libertá-las do esquecimento, esse
esquecimento a que Camões chama de
Lei da Morte.
Contudo, devo confessar que ando a passar por momento parco de ideias e devo confessar também que tive de me socorrer da transcrição de um poema, que um dia li e não esqueci, para melhor homenagear meu pai, Zé Neves, neste dia de 26 de Julho, dia em que no ano de 2002 aconteceu o que esperávamos, numa tarde de Sexta-feira que eu achava pouco provável, como já vos falei. Da autoria do admirável, citado no Voz, poeta brasileiro Mario Quintana (completaria 100 anos no próximo dia 30 de Julho) o poema Espelho poderá vir bem a propósito se as asas da (minha) imaginação souberem pegar-lhe.
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Espelho Por acaso, surpreendo-me no espelho: |
Então que fique registado que apesar de nunca perceber de parecenças e de não saber se saio ao pai ou à mãe (com verdade vos
digo que tal nem me preocupa)
quando me miro no Espelho reparo afinal que cada vez mais os genes de
meu pai estão me invadindo Lentamente, pêlo a pêlo (de cabelo).
Acreditai que
me divirto com a situação e que até sinto orgulho da careca, porque sei eu bem que
nada tem a ver com as águas ou com o clima. Mas, tal como nas palavras de
Quintana, e como isso (a fuga do cabelo)
não bastasse vejo ainda no Espelho a teimosia do menino e os planos que se
foram, e também reparo no sorriso dos olhos (que um dia também eu vi)
quiçá de orgulho (que não defino se triste ou alegre) pelas palavras que o Seven
colocava no jornal.
Neves, AJ | julho 26, 2006 10:37 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt
Como cantava Luiz Gonzaga, o Lua:
"Saudade assim faz doer,
Amarga que nem giló.
Mas ninguém pode dizer
que me viu triste a chorar.
Saudade,
o meu remédio é cantar."
(poderias parodiá-lo:
saudade, o meu remédio é blogar)
Abração
Afixado por: Santos Passos em julho 28, 2006 11:42 PMMeu querido amigo Seven não são os aniversários que mais recordamos, mas sim as palavras e a proteção dada por eles a nós. Um grande abraço amigo e um bj
Afixado por: adryka em julho 31, 2006 10:27 AMSeven, quem sai aos seus não é de ...Pois, linda homenagem que estás a prestar ao teu pai e ele ficaria contente ou está contente por isso.Foi numa bonita idade mas o sentimento fica sempre quando gostamos muito.Lamento.Já várias vezes vim aqui comentar e nada.Onde paras?Um abraço do Agostinho
Afixado por: Agostinho em agosto 1, 2006 10:09 PMCorrijo o endereço.Desculpa
Afixado por: Agostinho em agosto 1, 2006 10:12 PMAmigo Seven, como os anos passam!
Linda homenagem que prestas ao teu Pai, estou certo de que ele gostou destas tuas palavras.
O que é feito de ti Rapaz?????
Um abraço
Tozé Gomes
Afixado por: Toze Gomes em agosto 9, 2006 01:45 AMSeven, onde estás amigo?
Afixado por: Agostinho em agosto 14, 2006 08:33 AM