julho 14, 2006
Repouso doce repouso

Acreditem que andava necessitado de um repousozinho e, acreditem novamente, que não só da mente, porque desta vez até os "ossos" pediram.
Aos que me lêem com mais atento fica no entanto o aviso de que os ossos a que me refiro são realmente os meus e não os da minha sócia, mais propriamente o fémur de que já vos falei e que sofreu quebradura já faz um (longo) tempo. Felizmente para ela (e para mim, claro está) as peripécias menos boas já lá vão e a coisa parece que está mais ou menos nos trinques, diria que até me parece que vai de vento em popa (desculpem as reservas, mas cautelas e caldos e galinha nunca fizeram mal a ninguém) e a partir de agora só temos de dar (mais) tempo, muito tempo, ao tempo e continuarmos a acreditar e a abastecermo-nos de doses de paciência e ainda, no que a mim toca, conter uma certa revolta por constatar que os passeios (calçadas) que fazem parte do espaço onde residimos  não têm o mínimo de condições para ela, a minha paciente, se locomover com tranquilidade e segurança o que provoca uma sempre desagradável dependência a quem já se sente ferido fisicamente. Abro aqui um parêntesis à (vossa) compreensão, porque não sei se vou ser acusado de meter foice em seara alheia por denunciar esta (grande) lacuna em cidade tão importante e arrisco-me até a  receber como conselho que são coisas para estrangeiro não comentar, mas caros amigos e amigas, eu já levo quatro anos de residência e tenho o direito de me considerar cidadão paulistano gritando assim quando sinto os calos apertados.

Parece que me perdi do que me propunha, porque afinal eu queria era falar-vos dos meus males, dos males que me apoquentaram nestes últimas dias e que me levaram ao tal repouso com que comecei a crónica e que apesar de ter sido forçado foi abençoado, já que a mente descansou e provavelmente novas ideias virão aí. Causas? Tudo teria começado no dia seguinte àquela francesite que atacou a  Nossa Selecção e provocou o despiste das tropas lusas na estrada que as podia levar a Berlim. Em verdade vos digo que esse maligno vírus vindo de França, e que ultimamente não nos larga nas meias, também me deixou abalado, mas não foi por isso, vos garanto, que comecei a sentir arrepios, dores no corpo, mal-estar, o nariz abatatado e em constante necessidade de ser aliviado... é que o ambiente esfriou por aqui e os ossos, os meus, já não têm aquela resistência de antanho quando tratavam a gélida invernia beirã como apetitosa pêra doce.

Para piorar a situação veio aquela chuvarada (a chuvada lusa), não a de Sábado em Stuttgart que nos botou borda fora do Mundial e nos relegou para um insosso 4° lugar, mas sim a de Segunda-feira passada e que os meus ossos sentiram bem na pele quando, sem guarda-chuva e apenas munido com uma gabardina que herdei por estes lados, estava plantado em plena berma da Nazaré Paulista apelando encarecidamente a um Táxi qualquer que parasse já que encontrar um estacionado na praça ou ponto (de táxi) em dia de chuva e às 8 horas da manhã é tarefa mais difícil que encontrar agulha em palheiro. Valeu a insistência, mas veio a molha, e lá conseguimos rumar ao Hospital das Clínicas para fazer fotografia ao fémur da minha sócia e cuja observação médica nos deixou deveras animado como no início mencionei.

Quanto a mim, piorei, mas tive de aguentar, ora pois. Mais agasalhado, mais cama, uns chás de limão pingados, mais cobertor, umas pílulas e aqui me tendes apesar de ainda um pouco abalado, mas fosse só isto que me apoquentasse, a mim ou à Humanidade, e o Mundo seria um mar de rosas não é verdade?

Vamos p'ra luta!

Neves, AJ | julho 14, 2006 07:09 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt


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