... e pela primeira vez faço entrada, mas só e apenas porque Salazar é meu conterrâneo e algumas considerações há a fazer em vias disso... saliente-se que, de mente bem limpa [e imunizada], não tenho problema algum em focar o nome daquele que governou Portugal em ditadura e... bom, e para mais não tenho nada a justificar-me...
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Neste dia 28 de Abril, mas do ano de 1889, nasce António de Oliveira Salazar na freguesia de Vimieiro, concelho e município da Santa Comba Dão que também me viu nascer. |
Seminarista em
Viseu, estuda, licencia-se e dá aulas na Universidade de Coimbra e em 1926
(após o golpe militar de 28 de Maio) é convidado para Ministro das Finanças
(Fazenda), mas demite-se 13 dias depois. Em 1928 assume novamente aquela pasta e
em 1930 Salazar assume a cadeira do poder como
Presidente do Conselho e só viria a abandonar o cargo em 1968 por incapacidade,
ironicamente devido a ter caído de uma cadeira. Faleceu a 27 de Julho de 1970 e
foi sepultado no cemitério da sua freguesia natal, Vimieiro, após cortejo fúnebre
a partir da Estação de Caminhos de Ferro de Santa Comba Dão e em que eu tomei
parte vestido com a farda da Mocidade Portuguesa.
Instituiu o
chamado Estado Novo, cercou-se de uma polícia política, a tenebrosa PIDE
que sucedeu à PVDE, criou o partido único (União Nacional), proibiu as
oposições e impôs o regime totalitário. Fez
concordata com a Igreja e ironicamente castigou o cônsul português em Bordéus,
Aristides de Sousa Mendes, por lhe ter desobedecido e fazer aquilo que qualquer
cristão deveria fazer que foi passar vistos de entrada em Portugal (para
posterior fuga para outros destinos) aos judeus em fuga dos nazis de Hitler
durante a Segunda Guerra Mundial.
A favor de uma
política colonialista, coloca Portugal em isolamento internacional
[orgulhosamente sós] e a braços com uma Guerra Colonial ou do Ultramar que fez
milhares de mortos e de estropiados na juventude portuguesa e de nossos irmãos
africanos.
Finalizo lembrando que esta crónica só foi possível porque a censura ditatorial de Salazar e seus pares não existe mais e desejo ainda afirmar, porque ainda não me pronunciei, que sou apologista da construção de um Museu do Estado Novo (ficará muito bem na casa onde nasceu) onde figure o seu espólio (o que ainda for possível de reunir), mas jamais, repito, jamais concordarei com a (re)edificação de uma estátua a Salazar nas ruas da minha Santa Comba Dão.
A propósito... o nascimento de Salazar consta da rubrica neste dia no ano de... cuja ligação faz parte do Voz (ao alto e à esquerda logo a seguir à data) e ironia das ironias fiquei sabendo que também neste dia do ano de 1945 o fascista italiano Mussolini foi executado e que o nefasto Adolfo Hitler (mais velho que Salazar apenas 8 dias e falecido em 30 de Abril de 1945 por suicídio) se casou (desconhecíamos esta faceta) com Eva Braun e ainda que lá para as bandas do Tigre e do Eufrates, nasceu, no ano de 1937, o ditador Saddam Hussein que o mundo deseja banir da face da terra quer fisicamente quer sob outras formas (estátuas, por exemplo) que o façam recordar.
Neves, AJ | abril 28, 2006 11:40 AM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt
Quer queiramos ou não, faz parte da nossa história. Nunca concordaria com a reedificação da estátua. Para além do meu pensamento político, ela seria, outra vez, um foco de instabilidade na nossa terra. Concordo com um museu para quem quizer matar saudades o possa fazer, apreciando o seu espólio ou, o que dele reste. Jamais, constarei, da lista de visitantes. Por muito pouco não fui uma das suas vítimas, chegando a ser ameaçado com o Forte de Caxias. Estava na Guiné e já se comiam os géneros dados como impróprios para consumo (não havia outros). Resolvemos fazer algumas brincadeiras para esquecer a fome, e isso valeu-nos (a quatro militares), aquela ameaça. O que é lamentável é que se fale, cada vez com mais insistência, no seu nome. A frase pertence-lhe: "Havemos de chorar os mortos, se os vivos o não merecerem". Para muitos portugueses, ele tinha razão.
Um grande abraço.
Alípio Calisto
Caro Alípio... que tal se nos contasses um pouquito sobre a Guiné ?
Abraço
Salazar!
Quer queiramos ou não este é um tema sempre actual. Foi um homem que deixou marcas no mundo. A nossa tendência de olharmos para o nosso umbigo e a relativa proximidade com o tempo histórico faz-nos esquecer que Salazar não é apenas um Santacombadense ou Português mas um estadista que marcou a História do mundo do seu tempo. Basta lembrar que o seu desaparecimento faz despoletar uma série de acontecimentos durante a década de setenta do século passado e que origina o nascimento de novos países(ainda bem!)Angola,Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, S.Tomé e Príncipe e mais recentemente, mas em sequência Timor Lorosae. A década de setenta foi imortantíssima para a queda do muro de Berlim porque a independência dos referidos países agigantou a luta de influências das superpotências e colocou a nu as fraquesas do Bloco de Leste.
Com a recente intenção de se instalar no Vimieiro um museu do Estado Novo, as gerações mais novas vão ter oportunidade de conhecer, finalmente, esse homem que se chamou Salazar.