abril 05, 2006
Rio Dão

(impossível esquecer-me de ti)

O Rio Dão é o rio que dá nome à minha terra. Antes seria simplesmente Om, vocábulo que significaria apenas rio, curso de água, como acabei de saber no Toponímia Galeco-Portuguesa e Brasileira, um blog assinado por um português de Coimbra e que nos parece deveras interessante.

Este sítio que fala e explica a origem dos nomes de ruas e cidades foi encontrado por mero acaso quando pesquisava sobre o Dão, que, só por uma grande casualidade, deu título a esta entrada... é que na nossa ronda habitual pelo portal da Câmara Municipal vimos notícia da realização da conferência Da Nascente até à Foz sobre a qualidade das Águas da Região Centro e a observação da foto abaixo (a da esquerda) testou-nos a  memória, questionando-nos se realmente ela retrata (apenas) o Dão antes da Foz (do Dão) ou se as águas já estão envolvidas com o Mondego, tal  como se apresentam quando encostam na  parede da bela e soberba Barragem da Aguieira.

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 fotos tiradas do CM-SC Dão, clicar em cada uma para ampliar  

Inevitavelmente o Rio Dão virou tema de conversa com a minha companheira... falei... contei... recordei... divaguei...

Recordei os tempos do Dão das enxurradas invernais e dos magotes de gente que desciam até ao "meu" Outeirinho para contar o número de olhais da ponte trespassadas pelas águas. Recordei o Dão das pescarias, o Dão de águas encaminhadas para as pás do rodízio que faziam girar as mós do moinho de meus tios transformando o grão em farinha e que, depois, as mãos hábeis de minha tia moldavam em saborosa broa de milho. Recordei ainda o Dão cristalino e de fraca correnteza no estio que nos permitia usufruir do prazer invejável de passar um dia em tranquilidade absoluta, nadando, brincando e saboreando, no final, a apetecida merenda.

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Rio Dão em família
(o boleiro sou eu)

Rio Dão... afinal, o Rio Dão nasce no concelho de Aguiar da Beira (Distrito da Guarda) e depois de percorrer à volta de 100 quilómetros, alguns deles gastos em atravessar o município santacombadense de nordeste para sudoeste, lança-se no lado direito das águas do Mondego, que como deveis saber é o maior curso de água nascido em Portugal (Serra da Estrela) banha Coimbra e vai desaguar na  região da Figueira da Foz em pleno Atlântico, esse mesmo, o oceano que trouxe Cabral até às costas brasileiras.
Como podeis ver caros leitores, com um bocadinho de imaginação e muita boa vontade da parte de Neptuno o deus que domina o fundo dos mares e suas correntezas, é muito possível que uma lágrima de saudade carregada de amor desague no Dão, navegue Atlântico abaixo até ao litoral brasileiro acostando lá pelas bandas de Santos e, plena de força e querer, suba a serra e chegue até mim.

Image hosting by PhotobucketÓ sodade do sal dessa lágrima... que, por agora, unicamente pode ser colmatada com esta rosa, vermelha de amor
que lançada ao mar vai desafiar as leis da Natureza fazer o percurso inverso da lágrima e subir, subir, galgar o Equador, tomar carona na corrente quente do Golfo do México e acostar na Foz do Mondego que traz até ao mar as águas geladas da Estrela...
e em alor de final de crónica, ordeno que essa rosa, agora também perfumada pelos odores da Beira, suba o rio, devagar devagarzinho, que salte que nem salmão o alto paredão da Aguieira e, algures nas margens do Dão, caia docemente nas mãos brotadas da semente que ajudei a plantar.

Neves, AJ | abril 5, 2006 12:46 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt

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Comentários


Adorei o seu comentário sobre o Rio Dão.

Vivi em Santa Comba Dão vários anos,mais precisamente,no Granjal. Amo aquela aldeia, linda e tranquila. Agora moro em Santos, quase sua vizinha!
Que saudades do nosso Rio Dão!
Continue a escrever assim bonito sobre a nossa terra.
Abraços,obrigada ELZA


Afixado por: Elza S B Campos em maio 20, 2006 12:21 AM

Reconheço que tardiamente,mas aqui estou aplaudindo os teus inspirados escritos.Nunca duvidei do teu talento! A descriçao da "Canoa",do "Zé Sancho"são hinos à arte de bem narrar.Mas a alusão ao Rio Dão deixou-me extasiado! Sabes q desde m/jovem fui "cliente" do Poço do Vento,do dito da Dorna e conhecia as arvéolas q graciosamente pousavam no açude da Franca.E às vezes lá ludibriava um incauto barbito.Bem-haja. Um forte abraço.

Afixado por: joao de jesus em outubro 9, 2006 10:46 AM

opa.... espectaculo.... amei tudo....
amo esta terra e adoro a maneira que escreveu sobre esta terra...
continua assim

Afixado por: jota black em outubro 26, 2006 10:15 AM

UM dos poucos belos comentarios sobre esse rico paraiso q foi essa adoravel sala de visitas de santa comba dão.. ai nasci e com poucos dias de vida já andava deitado na proa dum dos barcos ai á pesca do savel ..guardo algumas lembranças dessa maguenifica aldeia.. Abraço .LUIS MARTIS

Afixado por: luis martins em fevereiro 20, 2007 09:19 PM

É com muito prazer que vejo o nome da minha terra natal "GRANJAL" nas paginas da internet.
Continuem a divulgar a nossa linda terra por esse mundo fora.
Mostrem mais fotos da nossa magnifica aldeia.
Um grande abraço.
LUIS ALBUQUERQUE

Afixado por: Luis Albuquerque em abril 27, 2007 09:23 PM

Gostei de que alguem ainda recorda com saudade o rio Dão, pois eu tambem nasci na ex Foz do Dão e
lembro-me das cheias do rio,e no verão as banhocas que lá tomava,as lampreias,os saveis, as
enguias,as bogas,coisas que já lá vãm,agora só fica a recordacão.
um grande abraço.
José Fernandes

Afixado por: José Fernandes em dezembro 13, 2008 04:55 PM
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