janeiro 03, 2006
Nevrite, filha dum cobrão

(devido a tão ilustre visita assim se explica a ausência, por desassossego, de textos meus, tentando-se remediar o caso com a publicação de entradas que não são mais que transcrições)

Os que nos acompanham nesta luta de espalhar a palavra pelo mundo afora são sabedores do ataque de Herpes Zoster (ou Zóster, grafia que também encontrámos) de que fui alvo nos primeiros dias do passado mês de Dezembro do ano ido de 2005.
Fez-se escrita e falei-vos das minhas, melhor das nossas (não esquecer que a minha companheira esteve e está sempre comigo) peripécias nos Hospitais... inevitavelmente, também vos relatei as dores brutais que acompanham a maleita, mas na última das crónicas escrita com espírito bem animado, já vos contava que as melhoras vinham a caminho.

Puro engano, caros amigos e leitores...

Se quanto às bolhinhas (que não passaram disso, mas que se estendiam por uma faixa mais ou menos longa, formando uma zona como uma cinta... daí a denominação de zóster), dizia eu que se quanto às lesões cutâneas nada havia a reclamar, pois elas evoluíam para a cura secando sem incómodo, já quanto à dor...ai... ai... é que quando eu pensava que a calmaria de noites mais ou menos bem dormidas já seria uma constante, sinal inequívoco que o cobreiro estava de abalada, eis que começo a sentir um incómodo, isso, incómodo acompanhado de uma imperosidade enorme de coçar toda a zona atingida.
Passou um dia, talvez dois, essas dores aumentaram e a dúvida instalou-se na minha mente... seria o reavivar da doença ou tudo seria culpa das horas sentadas em frente ao computador? A Véspera de Natal chegou e nem o bacalhau nem as rabanadas tiveram força para me acalmar. Aguentei o Dia de Natal, porque como sabemos nem todos os dias são Natal e não me apeteceu ir chatear o pessoal da urgência, mas no dia imediato e logo pelo nascer da aurora fui "fazer uma urgência" ao
Instituto Emílio Ribas.

Está na hora de vos falar deste Instituro de Infectologia onde me desloquei (a conselho de pessoa amiga ligada à saúde) dias após a doença ser diagnosticada, porque certamente se lembram na última crónica eu dizer que era do meu interesse investigar esta diminuição da defesa imunológica de que fui alvo e que permitiu o aparecimento do Herpes. Conhecido como o Hospital da AIDS/SIDA, deu-nos a impressão que cada utente carrega às costas o pesado fardo do preconceito social logo por entrar nesta instalação hospitalar. Na sala de espera as pessoas só se olham fugazmente, em olhares vazios e desviantes (eu não estou aqui) as conversas estão completamente ausentes e os semblantes bem carregados... valha-nos o atendimento altamente carinhoso e humano das gentes hospitalares (preparação profissional mais cuidada? talvez) e, repare-se, a espera, em comodidade, pela nossa vez é ao ar livre (com cobertura para protecção das chuvas) o que me permitiu combater a ansiedade, fumegando. Neste primeiro contacto, o médico confirmou o Herpes, mandou-me prolongar o tratamento com aciclovir, um antiviral e... em conversa deveras animada e contangiante, falando-me da maleita, das causas, se eu sabia a que se dedicava o Emílio Ribas diz-me de chofre: "vamos fazer uma análise ao sangue... autoriza que se faça a pesquisa de anticorpos anti-HIV, o chamado teste rápido ao HIV?". Apanhado de surpresa fiquei a olhar para o homem... desviei o olhar para a minha mulher e, antes de responder ao médico que sim que autorizava, ainda tive tempo para pensar "se fujo como explicar à mulher o porquê?".
Passadas quatro (longas) horas, esta hipótese de possível causa da falha na defesa imunológica foi descartada e o médico aconselhou-me, sem sobresaltos, a ver a próstata e o pulmão... o pulmão, este sim assusta-me um pouco, mas não vamos fugir e sim enfrentar o touro pelos chifres... a seu tempo.

E, assim, foi devido ao facto de ter ficado "cliente" (tenho consulta dia 5) que eu na segunda-feira a seguir ao Natal fiz a tal urgência referida dois parágrafos atrás. Não foi necessária uma História Clínica muito longa...perdeu-se mais tempo foi a tentar definir a dor, mas como diria Diácono Remédios... ó meus amigos não havia nechexidade, porque numa situação destas todo e qualquer tipo de dor que faz parte do cardápio dos compêndios da Medicina também existe na cabeça do paciente... o médico diagnosticou nevralgia pós-herpética devido a nevrite dos nervos atingidos... ora toma lá.

Estou medicado, mas o médico lá me foi avisando que isto vai demorar podendo ser necessária a visita ao neurologista e aprendendo a viver com a nevralgia, também verdadeira filha dum cobrão, aprendi ainda em dicionário médico que ela, a dor, se pode caracterizar como "descarga eléctrica"... quem escreveu isto tem razão e tirando os episódios de verdadeiro desassossego, em que me levanto, sento, deito e torno a levantar, a vida corre, ora pois, e saudei o Novo Ano de 2006 que espero tenha o poder de exorcizar o maldito cobreiro, cobrelo, cobrão, zona, aliás as sequelas.

Dores de Parto  
Cobreiro, cobrelo, cobrão, zona...  

Neves, AJ | janeiro 3, 2006 04:51 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt

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Comentários

Caros amigos

Tive uma molestia, de cobrao. Teve a duração de sete dias. As borbulhas já secaram. Tive poucas dores. Estas ainda não passaram. Será normal ?

Cumprimentos

ASilva

Afixado por: Antonio Silva em julho 10, 2008 07:32 AM
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