(devido a tão ilustre visita assim se explica a ausência, por desassossego, de textos meus, tentando-se remediar o caso com a publicação de entradas que não são mais que transcrições)
Os que nos
acompanham nesta luta de espalhar a palavra pelo mundo afora são
sabedores do ataque de Herpes
Zoster (ou Zóster, grafia que também encontrámos) de
que fui alvo nos primeiros dias do passado mês de Dezembro do
ano ido de 2005.
Fez-se escrita e falei-vos das minhas, melhor das nossas (não
esquecer que a minha companheira esteve e está sempre comigo)
peripécias nos Hospitais... inevitavelmente, também vos relatei
as dores brutais que acompanham a maleita, mas na última das
crónicas escrita com espírito bem animado, já vos contava que
as melhoras vinham a caminho.
Puro engano, caros amigos e leitores...
Se quanto às
bolhinhas (que não passaram disso, mas que se estendiam por uma
faixa mais ou menos longa, formando uma zona como uma cinta...
daí a denominação de zóster), dizia eu que se quanto às
lesões cutâneas nada havia a reclamar, pois elas evoluíam para
a cura secando sem incómodo, já quanto à dor...ai... ai... é
que quando eu pensava que a calmaria de noites mais ou menos bem
dormidas já seria uma constante, sinal inequívoco que o cobreiro
estava de abalada, eis que começo a sentir um incómodo, isso,
incómodo acompanhado de uma imperosidade enorme de coçar toda a
zona atingida.
Passou um dia, talvez dois, essas dores aumentaram e a dúvida
instalou-se na minha mente... seria o reavivar da doença ou tudo
seria culpa das horas sentadas em frente ao computador? A
Véspera de Natal chegou e nem o bacalhau nem as rabanadas
tiveram força para me acalmar. Aguentei o Dia de Natal, porque
como sabemos nem todos os dias são Natal e não me apeteceu ir
chatear o pessoal da urgência, mas no dia imediato e logo pelo
nascer da aurora fui "fazer uma urgência" ao Instituto Emílio
Ribas.
Está na hora de
vos falar deste Instituro de Infectologia onde me desloquei (a
conselho de pessoa amiga ligada à saúde) dias após a doença
ser diagnosticada, porque certamente se lembram na última
crónica eu dizer que era do meu interesse investigar esta
diminuição da defesa imunológica de que fui alvo e que
permitiu o aparecimento do Herpes. Conhecido como o Hospital da
AIDS/SIDA, deu-nos a impressão que cada utente carrega às costas o pesado fardo do preconceito social logo por entrar nesta instalação
hospitalar. Na sala de espera as pessoas só se olham fugazmente,
em olhares vazios e desviantes (eu não estou aqui) as conversas estão completamente
ausentes e os semblantes bem carregados... valha-nos o
atendimento altamente carinhoso e humano das gentes hospitalares
(preparação profissional mais cuidada? talvez) e, repare-se, a
espera, em comodidade, pela nossa vez é ao ar livre (com cobertura para
protecção das chuvas) o que me permitiu combater a ansiedade,
fumegando. Neste primeiro contacto, o médico confirmou o Herpes,
mandou-me prolongar o tratamento com aciclovir, um
antiviral e... em conversa deveras animada e contangiante,
falando-me da maleita, das causas, se eu sabia a que se dedicava
o Emílio Ribas diz-me de chofre: "vamos fazer uma análise
ao sangue... autoriza que se faça a pesquisa de anticorpos
anti-HIV, o chamado teste rápido ao HIV?". Apanhado de
surpresa fiquei a olhar para o homem... desviei o olhar para a
minha mulher e, antes de responder ao médico que sim que
autorizava, ainda tive tempo para pensar "se fujo como
explicar à mulher o porquê?".
Passadas quatro (longas) horas, esta hipótese de possível
causa da falha na defesa imunológica foi descartada e o
médico aconselhou-me, sem sobresaltos, a ver a próstata e o
pulmão... o pulmão, este sim assusta-me um pouco, mas não
vamos fugir e sim enfrentar o touro pelos chifres... a seu tempo.
E, assim, foi devido ao facto de ter ficado "cliente" (tenho consulta dia 5) que eu na segunda-feira a seguir ao Natal fiz a tal urgência referida dois parágrafos atrás. Não foi necessária uma História Clínica muito longa...perdeu-se mais tempo foi a tentar definir a dor, mas como diria Diácono Remédios... ó meus amigos não havia nechexidade, porque numa situação destas todo e qualquer tipo de dor que faz parte do cardápio dos compêndios da Medicina também existe na cabeça do paciente... o médico diagnosticou nevralgia pós-herpética devido a nevrite dos nervos atingidos... ora toma lá.
Estou medicado, mas o médico lá me foi avisando que isto vai demorar podendo ser necessária a visita ao neurologista e aprendendo a viver com a nevralgia, também verdadeira filha dum cobrão, aprendi ainda em dicionário médico que ela, a dor, se pode caracterizar como "descarga eléctrica"... quem escreveu isto tem razão e tirando os episódios de verdadeiro desassossego, em que me levanto, sento, deito e torno a levantar, a vida corre, ora pois, e saudei o Novo Ano de 2006 que espero tenha o poder de exorcizar o maldito cobreiro, cobrelo, cobrão, zona, aliás as sequelas.
Neves, AJ
| janeiro 3, 2006 04:51 PM
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Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt
Caros amigos
Tive uma molestia, de cobrao. Teve a duração de sete dias. As borbulhas já secaram. Tive poucas dores. Estas ainda não passaram. Será normal ?
Cumprimentos
ASilva
Afixado por: Antonio Silva em julho 10, 2008 07:32 AM