(calma pessoal, que a situação está sob controle... agora é pura prosa)
Não posso precisar a hora, mas
sei que foi logo de manhãzinha. Quanto ao dia afirmo com
segurança que foi na Quarta-feira passada porque elas (as dores)
amainaram durante o disputadíssimo desafio de futebol entre os
encarnados do Benfica e do Manchester que os da Luz venceram com
exibição personalizada e me trouxe a lembrança das noites
mágicas europeias de Costa Pereira, Coluna, Eusébio e
companhia.
Nessa noite, de quarta para
quinta, a cama tornou-se objecto non grato e só o sofá
ou a carpete da sala é que me aturavam os devaneios... deitado
de costas ou de ventre, de joelhos ou na mais bizarra das
posições eu tentava apagar o fogo que me consumia, tentava
acalmar o ardor de uma dor tão intensa quão brutal e que
chamava um figo aos miligramas de paracetamol que eu
enfiava para o estômago.
Essa dor que de início parecia
que chegava como cólica sobre o rim esquerdo bem depressa se
tornava lancinante como punhalada irradiando pela zona lombar com
uma ou outra intromissão à frente e de imediato comecei a
sentir dificuldade (e medo) em urinar não propriamente pelo acto
de expelir em si, mas devido às fortes dores nas costas.
Homem sofre caros amigos...
A aurora chegou e com ela a necessidade de procurar ajuda. Pela primeira vez desde que cá estou parti em busca de salvação... de uma salvação que minha mente confusa nem apelava para a cura da maleita antes sim, em verdadeiro contra-senso, apenas pelo fim do estado doloroso.
Passavam 5 minutos das 7:00 horas da manhã de Quinta-feira quando tirei a senha da vez na emergência do Instituto Central do colossal Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o HCFMUSP, uma entidade pública estadual. Não havia muita gente à espera, talvez umas vinte pessoas, e só tardaram uns 15 minutos para eu entrar na Sala de Triagem onde uma enfermeira faz o registo do nome e da idade e nos pergunta, inevitavelmente, o que nos levou ali. Após uma brevíssima História Clínica, com medição da Tensão ou Pressão Arterial, doenças que tenhamos e alergias medicamentosas, etc, etc, a enfermeira faz o seu julgamento de urgente ou not urgente. No meu caso mandou-me seguir a Linha Amarela pintada no chão e de papel na mão dirigi-me ao guiché de inscrição onde às 7:55 horas dessa manhã passei a constar dos serviços computorizados da instituição como um paciente, cidadão do mundo, necessitando de auxílio médico urgente. De papeleta na mão segui desta vez a Linha Preta que desaguava na sala de espera de quatro ou cinco consultórios médicos.
Calhou-me em sorte uma doutora (a espera teria sido de uns 30 minutos, nem tanto) que a certo ponto do interrogatório, quase que aposto, teria ficado um pouco confusa, dado que todo e qualquer tipo de dor que ela chutava eu dizia que sim, que tinha. E ainda mais confusa teria ficado quando me deu o célebre murrinho ou soquinho sobre o rim que geralmente identifica a existência de cálculo renal e eu nem me mexi. Encaminhando o seu juízo para "pedra no rim", a doutora lá foi afirmando que provavelmente a crise já teria passado ou seja por outras palavras que a hipotética pedrinha já estaria a caminho da bexiga ou quem sabe até já poderia ter saído para o exterior. Medicou um complexo analgésico que uma enfermeira me administrou na veia e fui, seguindo uma linha que já não lembro a cor, "fazer um Raio X".
Quando regressei com a chapa que
nada ajudou, as dores tinham aumentado e a doutora, cada vez mais
intrigada, mandou-me deitar, fez palpação de todo o abdómen,
mas parecia tudo normal dentro daquela anormalidade. Foi-me
administrada uma segunda dose analgésica de buscopan e
companhia e fui, linha afora, até ao Laboratório de Análises
para que me fosse feita uma colheita de urina.
O resultado da
análise só estaria ao dispor 4 ou 5 horas depois e a doutora,
nora de uma patrícia de Lisboa (a manhã já ia alta o
suficiente para termos entabulado conversa) recomendou-me que
viesse até casa, descansasse e voltasse lá mais pelo fim da
tarde.
Com cada um de nós amarrado às
suas interrogações, fizemos a despedida em tons bem agradáveis
brincando até que estas eram as "dores de parto" que
todo o homem poderia sentir... a meu rogo, a doutora disse à
enfermeira para me dar uma cápsula, avisando-me, contudo, para
ter cuidado no percurso de volta, porque o medicamento iria
"dar sono"...
não deu...
e afinal, a dor continuou
cada vez mais activa e só no meu regresso ao Hospital (pelo fim da tarde) é que o
diagnóstico, por aparecimento de um sinal, foi finalmente
feito... para tranquilidade de ambas as partes.
Neves, AJ
| dezembro 13, 2005 08:06 AM
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Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt
Por acaso não pensei o pior...! pensei, isso sim, no descanso do guerreiro. Melhor fosse...! Agora, quero desejar-te; uma recuperação rápida, consolidada, e que o pior esteja passado. Um grande abraço do amigo:
Alípio Calisto
Olá amigo, regressaste em força, Beijos
Afixado por: adryka em dezembro 14, 2005 08:58 AMObrigado amgos pelas vossas palavras...
Abraço...
Ah.. Adryka.. regressei em força, mas sem forças, topas?... rs
Beijoca
Então tiveste um "cobrão" ?
Afixado por: eugénio em dezembro 21, 2005 11:15 AMQue posso comentar?que qd me atingiu foi fulminante e que chorei agarrado ás pernas?sem saber o q fazer.....merda de doença estúpida,como muitas,infelizmente nos atormentam.dasss
Afixado por: jonh em abril 4, 2008 11:27 PM