dezembro 13, 2005
Dores de Parto

(calma pessoal, que a situação está sob controle... agora é pura prosa)

Não posso precisar a hora, mas sei que foi logo de manhãzinha. Quanto ao dia afirmo com segurança que foi na Quarta-feira passada porque elas (as dores) amainaram durante o disputadíssimo desafio de futebol entre os encarnados do Benfica e do Manchester que os da Luz venceram com exibição personalizada e me trouxe a lembrança das noites mágicas europeias de Costa Pereira, Coluna, Eusébio e companhia.
Nessa noite, de quarta para quinta, a cama tornou-se objecto non grato e só o sofá ou a carpete da sala é que me aturavam os devaneios... deitado de costas ou de ventre, de joelhos ou na mais bizarra das posições eu tentava apagar o fogo que me consumia, tentava acalmar o ardor de uma dor tão intensa quão brutal e que chamava um figo aos miligramas de paracetamol que eu enfiava para o estômago.
Essa dor que de início parecia que chegava como cólica sobre o rim esquerdo bem depressa se tornava lancinante como punhalada irradiando pela zona lombar com uma ou outra intromissão à frente e de imediato comecei a sentir dificuldade (e medo) em urinar não propriamente pelo acto de expelir em si, mas devido às fortes dores nas costas.

Homem sofre caros amigos...

A aurora chegou e com ela a necessidade de procurar ajuda. Pela primeira vez desde que cá estou parti em busca de salvação... de uma salvação que minha mente confusa nem apelava para a cura da maleita antes sim, em verdadeiro contra-senso, apenas pelo fim do estado doloroso.

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Passavam 5 minutos das 7:00 horas da manhã de Quinta-feira quando tirei a senha da vez na emergência do Instituto Central do colossal Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o HCFMUSP, uma entidade pública estadual. Não havia muita gente à espera, talvez umas vinte pessoas, e só tardaram uns 15 minutos para eu entrar na Sala de Triagem onde uma enfermeira faz o registo do nome e da idade e nos pergunta, inevitavelmente, o que nos levou ali. Após uma brevíssima História Clínica, com medição da Tensão ou Pressão Arterial, doenças que tenhamos e alergias medicamentosas, etc, etc, a enfermeira faz o seu julgamento de urgente ou not urgente. No meu caso mandou-me seguir a Linha Amarela pintada no chão e de papel na mão dirigi-me ao guiché de inscrição onde às 7:55 horas dessa manhã passei a constar dos serviços computorizados da instituição como um paciente, cidadão do mundo, necessitando de auxílio médico urgente. De papeleta na mão segui desta vez a Linha Preta que desaguava na sala de espera de quatro ou cinco consultórios médicos.

Calhou-me em sorte uma doutora (a espera teria sido de uns 30 minutos, nem tanto) que a certo ponto do interrogatório, quase que aposto, teria ficado um pouco confusa, dado que todo e qualquer tipo de dor que ela chutava eu dizia que sim, que tinha. E ainda mais confusa teria ficado quando me deu o célebre murrinho ou soquinho sobre o rim que geralmente identifica a existência de cálculo renal e eu nem me mexi. Encaminhando o seu juízo para "pedra no rim", a doutora lá foi afirmando que provavelmente a crise já teria passado ou seja por outras palavras que a hipotética pedrinha já estaria a caminho da bexiga ou quem sabe até já poderia ter saído para o exterior. Medicou um complexo analgésico que uma enfermeira me administrou na veia e fui, seguindo uma linha que já não lembro a cor, "fazer um Raio X".

Quando regressei com a chapa que nada ajudou, as dores tinham aumentado e a doutora, cada vez mais intrigada, mandou-me deitar, fez palpação de todo o abdómen, mas parecia tudo normal dentro daquela anormalidade. Foi-me administrada uma segunda dose analgésica de buscopan e companhia e fui, linha afora, até ao Laboratório de Análises para que me fosse feita uma colheita de urina.
O resultado da análise só estaria ao dispor 4 ou 5 horas depois e a doutora, nora de uma patrícia de Lisboa (a manhã já ia alta o suficiente para termos entabulado conversa) recomendou-me que viesse até casa, descansasse e voltasse lá mais pelo fim da tarde.

Com cada um de nós amarrado às suas interrogações, fizemos a despedida em tons bem agradáveis brincando até que estas eram as "dores de parto" que todo o homem poderia sentir... a meu rogo, a doutora disse à enfermeira para me dar uma cápsula, avisando-me, contudo, para ter cuidado no percurso de volta, porque o medicamento iria "dar sono"...
não deu...
e afinal, a dor continuou cada vez mais activa e só no meu regresso ao Hospital (pelo fim da tarde) é que o diagnóstico, por aparecimento de um sinal, foi finalmente feito... para tranquilidade de ambas as partes.

Nevrite, filha de um cobrão  
Cobreiro, cobrelo, cobrão, zona...  

Neves, AJ | dezembro 13, 2005 08:06 AM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt

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Comentários

Por acaso não pensei o pior...! pensei, isso sim, no descanso do guerreiro. Melhor fosse...! Agora, quero desejar-te; uma recuperação rápida, consolidada, e que o pior esteja passado. Um grande abraço do amigo:
Alípio Calisto

Afixado por: Alípio Calisto em dezembro 13, 2005 12:22 PM

Olá amigo, regressaste em força, Beijos

Afixado por: adryka em dezembro 14, 2005 08:58 AM

Obrigado amgos pelas vossas palavras...

Abraço...
Ah.. Adryka.. regressei em força, mas sem forças, topas?... rs

Beijoca

Afixado por: Seven em dezembro 17, 2005 07:37 PM

Então tiveste um "cobrão" ?

Afixado por: eugénio em dezembro 21, 2005 11:15 AM

Que posso comentar?que qd me atingiu foi fulminante e que chorei agarrado ás pernas?sem saber o q fazer.....merda de doença estúpida,como muitas,infelizmente nos atormentam.dasss

Afixado por: jonh em abril 4, 2008 11:27 PM
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