Estátua à Mãe Preta ou Mãe Negra (nem virá ao caso, mas sempre se diz que aqui no Voz do Seven qualquer uma das denominações é sinónimo de respeito e admiração)
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Faleceu Nhanhã, às 5 da manhã, depois de confessada e ungida pelo Padre Ribas, com 54 anos de idade mais ou menos. Foi uma distinta senhora essa distinta negra. Deus a tenha... 01/07/1899 |
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Já conhecíamos...
... teria sido numa daquelas deambulações p'lo centro de São Paulo em busca da história da cidade (não é no centro de toda e qualquer urbe que a sua gestação tem lugar?) ainda poucos meses se tinham passado desde que o Venceslau de Moraes, o Airbus 340 da TAP, tinha pousado em terras paulistas após mais uma viagem transatlântica. Vem à memória que saímos na Estação de Metrô da República e depois de calcorrear alguns metros na Avenida do Ipiranga, metemo-nos para dentro e o acaso levou-nos ao Largo do Paissandu onde o destaque é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, cuja Irmandade, existente há mais de 300 anos, é considerada como um dos principais movimentos de consciência negra... na altura, certamente que olhámos para a Estátua da Mãe Negra apenas com olhos de turista, com olhos de ver sem observar, mas quis o feliz acaso que dias atrás o jornal O Estado de S. Paulo trouxesse estampada uma reportagem, da autoria do sociólogo J. Souza Martins, sobre a Estátua da Mãe Preta.
Conforme nos relata o articulista, o monumento nasceu no ano de 1955 pelas mãos de Júlio Guerra e, tal como nós, completa neste presente ano de 2005 a bela e redondinha idade de 50 anos. Mas, não é nossa intenção avaliar o trabalho do escultor com o escopro antes sim enaltecer o que o monumento perpetua... as mulheres afro-descendentes que alimentaram com o seu próprio leite (também de cor leitosa) tantos e tantos brasileiros filhos de mães com pele branca, mas que não os amamentavam ora por não produzirem o mais completo e saboroso dos alimentos (garantia pessoal) ora por desejarem, segundo a crença e em atitude egoísta, evitar os seios caídos.
As mães de leite não são novidade para nós... também pela Santa Comba que nos viu nascer era prática comum que uma mãe em aleitação alimentasse o filho de uma recém-mãe que não tivesse leite... o presente texto só vem aqui à estampa, porque para além de homenagearmos mais uma vez a Mãe desejamos divulgar, em tempos tão conturbados, esse texto soberbamente redigido que nos fala dos enormes laços afectivos entre o senhorzinho branco e a mãe que o amamentou, a Mãe Preta.
Neves, AJ
| outubro 25, 2005 09:38 PM
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