abril 01, 2004
Rhan Diak, Timor

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RAHAN DIAK, TIMOR
( Boa Sorte, Timor)

Finalmente a independência!

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O futuro da

jovem Nação

A 20 de Maio de 2002 nasceu o 192º Estado Independente reconhecido pelo Mundo – a República Democrática de Timor-Leste. O primeiro do século XXI e do 3º milénio. A nova nação manterá as fronteiras de antiga colónia portuguesa e o território é constituído pela metade oriental da Ilha de Timor, pelo enclave de Oecusse (na parte ocidental da ilha, pertencente à Indonésia) e pelas ilhas de Ataúro (a norte) e de Jaco (a leste). Consta dos livros que teria sido no ano de 1515 (embora haja mapas datados de 1512 em que aparece) que o navegador António Taveira, ao serviço d' El rei D. Manuel I, acostou à Ilha Crocodilo situada no mar do mesmo nome ao norte da Austrália. Passaria a constar como colónia portuguesa a partir da 1ª metade do século XVI. Constantes lutas travadas pela posse da ilha entre portugueses e holandeses levaram à definição, em 1851, das actuais fronteiras.
Em 1949 a Indonésia torna-se independente da Holanda continuando a "parte portuguesa" inalterável talvez devido a uma certa semelhança de políticas entre os dois países
A instabilidade foi uma constante em Timor. Na 2ª Guerra Mundial, os japoneses ocuparam a ilha e teriam provocado mais de 40 mil mortos, perante a impotência do colonialismo português que até 1974 pouco mais fez que um aeroporto em Bacau e um cais acostável em Dili, esquecendo tudo o resto.
Após o 25 de Abril de 1974, os partidos políticos timorenses entraram em luta fratricida e a autodeterminação não se consumou. Apadrinhada pelos EUA, a invasão indonésia aconteceu em Agosto de 1975. O maior país muçulmano do mundo declara Timor Leste como a 27ª província indonésia e começam as perseguições ao povo. O ensino e a comunicação na Língua Portuguesa é proibido. Constitui-se a resistência timorense chefiada pelo líder carismático
Xanana Gusmão que se refugia nas montanhas e luta pela independência de Timor Leste, tendo apenas como material bélico, as velhas armas que o exército português lá tinha deixado, as armas apreendidas ao exército indonésio e outras armas artesanais. Durante a ocupação, a Indonésia matou em verdadeiro genocídio, apontando os números para mais de 200 000 mortos. Aquela potência oriental chegou a usar napalm para a destruição da densa floresta onde se refugiavam os bravos resistentes. O mundo parece que não sabe de nada ou fecha os olhos, porque os interesses económicos, como sugar o petróleo nas costas da Ilha, falam mais alto. Mas, os prepotentes cometem erros... sempre... podem tardar, mas cometem. E em 1991, precisamente a 12 de Novembro, a Indonésia perde as estribeiras ante uma manifestação popular e despoleta o chamado MASSACRE DE SANTA CRUZ em que soldados indonésios disparam indiscriminadamente sobre timorenses que tinham ido em romagem ao cemitério de Sta. Cruz em Dili (a capital do território) homenagear um estudante assassinado dias antes. Nem tudo poderia ser mau para as gentes timorenses e a chacina é filmada por um jornalista inglês que, por precaução escondeu a cassete vídeo numa sepultura e só foi recuperá-la dias mais tarde. Chegado a casa mostrou-a ao mundo e o mundo "acorda"... Portugal também e timidamente começa com diligências diplomáticas. Entretanto Xanana Gusmão é capturado (1992) e condenado a prisão perpétua em julgamento fantoche. Mais tarde os indonésios reduzem-lhe a pena 20 anos de prisão, mas seria tarde... o Guevara do Oriente estava criado!

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Portugal, pressiona! Através de diligências diplomáticas intensas "alerta" a Europa, os EUA e o mundo para o "problema de Timor Leste". Entretanto Shuarto, o ditador indonésio cai. Os problemas internos são enormes. Com a mudança, a Indonésia começa a "abrir" e Xanana tem direito a ser entrevistado na prisão... aparece nas televisões do mundo ora com um boné do SL Benfica (certamente o clube português mais emblemático e com maior impacto mundial) ora vestido com uma camisola da Selecção Nacional Portuguesa talvez lembrando ao mundo que afinal perante as Nações Unidas Timor Leste ainda era território pertencente a Portugal, por a ocupação da parte da Indonésia ter sido considerada ilegal.
Entretanto já Portugal recebia timorenses que conseguiam refugiar-se em embaixadas (França, Holanda..) em Jacarta e pediam asilo político. A Indonésia cada vez mais pressionada e "atulhada" de crises internas acaba por ceder e concorda com um referendo sobre a independência ao povo timorense em 30 de Agosto de 1999. Em Setembro, Xanana é posto em prisão domiciliária e posteriormente libertado.. é dele a célebre frase VIVA TIMOR LOROSAE...  LoroSae,  terra do sol nascente em tetum.
As Nações Unidas, entretanto, nomearam para administrador do território o brasileiro Sérgio Vieira de Mello cujo trabalho foi enaltecido pelo mundo inteiro. Os timorenses jamais deixarão de ficar gratos a Vieira de Mello que faleceu em bárbaro atentado no Iraque, Agosto de 2003, onde se encontrava em mais uma missão diplomática ao serviço da ONU.
No referendo, e como se esperava, a maioria do povo escolhe a criação de TIMOR LESTE como nação. mas os indonésios não aceitam e organizam milícias armadas que massacram os timorenses obrigando a população sobreviente a refugiar-se nas montanhas... Dili, principalmente, fica a ferro e fogo, mas os confrontos estendem-se a todo o território...

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os EUA... calam-se. Incompreensivelmente!
Portugal "levanta-se"... o povo português, quais Afonsos, Gamas ou Cabrais de tempos idos, faz troar a sua nova arma - a solidariedade! Outros países aderem, os emigrantes portugueses espalhados pelo mundo também (lindo de se ver num país como os Estados Unidos da América a fazerem o alerta para sociedade americana). Todo o português se sentia orgulhoso de o ser. Novos e velhos, a Escola, a esquerda e a direita, a Igreja e outras confissões religiosas... todos aderiram à onda de solidariedade. Talvez nunca se tivesse presenciado tamanha concordância no povo luso.

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Portugal chora ao teu lado

A juventude foi o máximo... fizeram-se cordões humanos, vigílias, pintou-se, escreveu-se, fez-se poesia (o Seven também) e cantou-se (Ai Timor, de Luís Reprezas) para além de inúmeras campanhas como acender uma vela por Timor, 3 minutos de silêncio por Timor, lançar à água uma flor por Timor, 5 minutos de toque de sirenes por Timor... enviaram-se abaixo-assinados, cartas de protesto para as embaixadas dos Estados Unidos da América, para o presidente Clinton, para as embaixadas da Indonésia...
Conseguiu-se e deu-se razão ao poeta, porque tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
E, a 20 de Maio de 2002, Xanana Gusmão, primeiro presidente da nova república e Megawati, presidente da Indonésia
deram as mãos. Sintomático. Os quase 800 mil timorenses, onde a expectativa de vida ronda os 57,5 anos, estão conscientes dos enormes problemas que se avizinham. De que muito há a fazer. Considerado o país mais pobre da Ásia e um dos dez mais pobres do mundo, o seu desenvolvimento futuro passará pela exploração petrolífera, da floresta (sândalos e teca), da cultura do café e da abertura ao investimento estrangeiro. Ser a porta da Europa na Ásia é desejo dos governantes da nóvel nação que terá o Português como língua oficial.
Rahan Diak, Timor Lorosae!

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Neves, AJ | abril 1, 2004 07:45 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt


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