RAHAN
DIAK, TIMOR
( Boa Sorte, Timor)
Finalmente a independência!
![]() |
![]() O futuro da jovem Nação |
A 20 de Maio
de 2002 nasceu o 192º Estado Independente reconhecido pelo
Mundo a República Democrática
de Timor-Leste. O primeiro do século XXI e do
3º milénio. A nova nação manterá as fronteiras de antiga
colónia portuguesa e o território é constituído pela metade
oriental da Ilha de Timor, pelo enclave de Oecusse (na
parte ocidental da ilha, pertencente à Indonésia) e pelas ilhas
de Ataúro (a norte) e de Jaco (a leste). Consta
dos livros que teria sido no ano de 1515 (embora haja mapas
datados de 1512 em que aparece) que o navegador António
Taveira, ao serviço d' El rei D. Manuel I, acostou à Ilha Crocodilo situada no mar do mesmo
nome ao norte da Austrália. Passaria a constar como colónia
portuguesa a partir da 1ª metade do século XVI. Constantes
lutas travadas pela posse da ilha entre portugueses e holandeses
levaram à definição, em 1851, das actuais fronteiras.
Em 1949 a Indonésia torna-se independente da Holanda continuando
a "parte portuguesa" inalterável talvez devido a uma
certa semelhança de políticas entre os dois países
A instabilidade foi uma constante em Timor. Na 2ª Guerra
Mundial, os japoneses ocuparam a ilha e teriam provocado mais de
40 mil mortos, perante a impotência do colonialismo português
que até 1974 pouco mais fez que um aeroporto em Bacau e um cais
acostável em Dili, esquecendo tudo o resto.
Após o 25 de Abril de 1974, os partidos políticos timorenses
entraram em luta fratricida e a autodeterminação não se
consumou. Apadrinhada pelos EUA, a invasão indonésia aconteceu
em Agosto de 1975. O maior país muçulmano do mundo declara
Timor Leste como a 27ª província indonésia e começam as
perseguições ao povo. O ensino e a comunicação na Língua
Portuguesa é proibido. Constitui-se a resistência timorense
chefiada pelo líder carismático Xanana Gusmão que se refugia nas
montanhas e luta pela independência de Timor Leste, tendo apenas
como material bélico, as velhas armas que o exército português
lá tinha deixado, as armas apreendidas ao exército indonésio e
outras armas artesanais. Durante a ocupação, a Indonésia matou
em verdadeiro genocídio, apontando os números para mais de 200
000 mortos. Aquela potência oriental chegou a usar napalm para a
destruição da densa floresta onde se refugiavam os bravos
resistentes. O mundo parece que não sabe de nada ou fecha os
olhos, porque os interesses económicos, como sugar o petróleo
nas costas da Ilha, falam mais alto. Mas, os prepotentes cometem
erros... sempre... podem tardar, mas cometem. E em 1991,
precisamente a 12 de Novembro, a Indonésia perde as estribeiras
ante uma manifestação popular e despoleta o chamado MASSACRE
DE SANTA CRUZ em que soldados indonésios
disparam indiscriminadamente sobre timorenses que tinham ido em
romagem ao cemitério de Sta. Cruz em Dili (a capital do
território) homenagear um estudante assassinado dias antes. Nem
tudo poderia ser mau para as gentes timorenses e a chacina é
filmada por um jornalista inglês que, por precaução escondeu a
cassete vídeo numa sepultura e só foi recuperá-la dias mais
tarde. Chegado a casa mostrou-a ao mundo e o mundo
"acorda"... Portugal também e timidamente começa com
diligências diplomáticas. Entretanto Xanana Gusmão é capturado (1992) e
condenado a prisão perpétua em julgamento fantoche. Mais tarde
os indonésios reduzem-lhe a pena 20 anos de prisão, mas seria
tarde... o Guevara do Oriente estava criado!
Portugal,
pressiona! Através de diligências diplomáticas intensas
"alerta" a Europa, os EUA e o mundo para o
"problema de Timor Leste". Entretanto Shuarto, o
ditador indonésio cai. Os problemas internos são enormes. Com a
mudança, a Indonésia começa a "abrir" e Xanana tem
direito a ser entrevistado na prisão... aparece nas televisões
do mundo ora com um boné do SL
Benfica (certamente o clube português
mais emblemático e com maior impacto mundial) ora vestido com
uma camisola da Selecção Nacional
Portuguesa talvez lembrando ao mundo que
afinal perante as Nações Unidas Timor Leste ainda era
território pertencente a Portugal, por a ocupação da parte da
Indonésia ter sido considerada ilegal.
Entretanto
já Portugal recebia timorenses que conseguiam refugiar-se em
embaixadas (França, Holanda..) em Jacarta e pediam asilo
político. A Indonésia cada vez mais pressionada e
"atulhada" de crises internas acaba por ceder e
concorda com um referendo sobre a independência ao povo
timorense em 30 de Agosto de 1999. Em Setembro, Xanana é posto
em prisão domiciliária e posteriormente libertado.. é dele a
célebre frase VIVA TIMOR LOROSAE... LoroSae, terra
do sol nascente em tetum.
As Nações Unidas, entretanto, nomearam para administrador do
território o brasileiro Sérgio Vieira de Mello cujo trabalho
foi enaltecido pelo mundo inteiro. Os timorenses jamais deixarão
de ficar gratos a Vieira de Mello que faleceu em bárbaro
atentado no Iraque, Agosto de 2003, onde se encontrava em mais
uma missão diplomática ao serviço da ONU.
No referendo, e como se esperava, a maioria do povo escolhe a
criação de TIMOR LESTE como nação. mas os indonésios não
aceitam e organizam milícias armadas que massacram os timorenses
obrigando a população sobreviente a refugiar-se nas montanhas...
Dili, principalmente, fica a ferro e fogo, mas os confrontos
estendem-se a todo o território...

os EUA...
calam-se. Incompreensivelmente!
Portugal
"levanta-se"... o povo português, quais Afonsos, Gamas
ou Cabrais de tempos idos, faz troar a sua nova arma - a
solidariedade! Outros países aderem, os emigrantes portugueses
espalhados pelo mundo também (lindo de se ver num país como os
Estados Unidos da América a fazerem o alerta para sociedade
americana). Todo o português se sentia orgulhoso de o ser. Novos
e velhos, a Escola, a esquerda e a direita, a Igreja e outras
confissões religiosas... todos aderiram à onda de
solidariedade. Talvez nunca se tivesse presenciado tamanha
concordância no povo luso.
![]() |
![]() Portugal chora ao teu lado |
A juventude foi
o máximo... fizeram-se cordões humanos, vigílias, pintou-se,
escreveu-se, fez-se poesia (o Seven também) e cantou-se (Ai
Timor, de Luís Reprezas) para além de inúmeras campanhas como
acender uma vela por Timor, 3 minutos de silêncio por Timor,
lançar à água uma flor por Timor, 5 minutos de toque de
sirenes por Timor... enviaram-se abaixo-assinados, cartas de
protesto para as embaixadas dos Estados Unidos da América, para
o presidente Clinton, para as embaixadas da Indonésia...
Conseguiu-se e deu-se razão ao poeta, porque tudo vale a pena
quando a alma não é pequena.
E, a 20 de Maio de 2002, Xanana Gusmão, primeiro
presidente da nova república e Megawati, presidente da
Indonésia deram
as mãos.
Sintomático. Os quase 800 mil timorenses, onde a expectativa de
vida ronda os 57,5 anos, estão conscientes dos enormes problemas
que se avizinham. De que muito há a fazer. Considerado o país
mais pobre da Ásia e um dos dez mais pobres do mundo, o seu
desenvolvimento futuro passará pela exploração petrolífera,
da floresta (sândalos e teca), da cultura do café e da abertura
ao investimento estrangeiro. Ser a porta da Europa na
Ásia é desejo dos governantes da nóvel nação que terá o Português
como língua oficial.
Rahan Diak, Timor Lorosae!
Neves, AJ
| abril 1, 2004 07:45 PM
|
Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt