| a vida deixará de ter sentido |
| se se perder a vontade de mamar nas raízes |
O relógio marca exactamente 7 horas e 7 minutos, hora bem a propósito para o Voz do Seven começar o périplo diário (ou quase de todos os dias) p´lo mundo da Internet. Enquanto espero que o fiel computador se ligue em rede com as inúmeras redes, a mente, espevitada p'los primeiros tragos de um saboroso café brasileiro, faz o remate final de uma entrada que está para sair (paradoxo deveras curioso)... lá fora parece que está frio, digo parece porque ainda não saí e só o afirmo porque tenho em atenção a ausência dos dourados raios solares e vejo o agitar dos ramos das árvores através das vidraças de meu quarto. O emblema da Briosa estampado na tela do ecrã, parece que chamam a isto wallpaper ou papel de parede, anuncia-me que posso começar a viajar e tomar conhecimento...
tomar conhecimento...
do que se passa pelo mundo, seus atentados e afins...
mais em particular o que acontece no "meu" pequeno
rectângulo que não consegue escapar à praga dos incêndios e
da seca, mas com as gentes certamente felizes por
estarem aí à porta as apetecidas férias de Verão...
e ainda mais em particular o que se passa na "minha"
Santa Comba... e logo de imediato, porque o portal da minha
cidade assim está definido como página principal no computador
que utilizo.
Notícias frescas no portal da minha terra e não há como
resistir. Assim, o que tinha na ideia, a colocação da tal
entrada que está para sair, vai ter de esperar mais um pouco ou
talvez um "enorme pouco", porque já, já de caminho, vou a uma
Feira abastecer-me com uns saborosos enchidos fabricados por
casal português nascido nas serranias do Sabugal (com orgulho, o
Zé até me diz que é da terra do Presidente da Câmara do
vizinho Município de Mortágua).
...
Afinal tive que interromper a escrita, também esta escrita sobre
a minha Santa Comba, porque em primeiro vem a obrigação e
depois a devoção. De manhã fui então feirar... em rua
comprida ladeada por bancas que nos oferecem, carne, peixe,
legumes e fruta, muita fruta, não faltando umas
"tasquinhas" onde se pode "matar o bicho" que
rói no estômago e beber um suco de cana (de açúcar)... mas
também se podem encontrar uns parafusos ou pregos para construir
prateleira ou as mais diversas utilidades para o lar e, na vinda,
se (ainda) houverem uns reais no bolso ninguém vem para
casa descalço.
E, assim, é já em final de tarde que volto a pegar na pena que
neste mundo moderno das novas tecnologias toma a forma
rectangular com uns quadradinhos com letras chamados de
teclas onde damos umas marteladinhas com a cabeça dos dedos.
Debrucemo-nos então no quadro que preparei acima e que
emocionado vos ofereço. Antes um alerta... não me venham com a
treta da saudade, da nostalgia... é que já vos disse várias
vezes que viajar ao passado não é de maneira alguma doentio
antes sim salutar e faz com que jamais percamos as raízes que é
o que esta mente que vos escreve jamais quer que aconteça.(o som
exagerado dos "ques" foi notado e avaliado... gostei e
assim é publicado).
Na foto superior direita damos conta que a secular Casa dos
Arcos, localizada na Rua de Santa Columba que aqui já foi notícia,
alinda-se. É sempre tarefa obrigatória porque ela é ex
libris da nossa cidade e apreciada por todos os passantes...
passantes estes que já não nos poderão criticar pelo desmazelo
a que estavam votadas as instalações contíguas (fazem parte do
Solar) e propriedade do Ministério das Finanças, onde funcionam
as repartições que "limpam o sebo" aos
contribuintes... é que finalmente lavaram a cara das paredes,
mas só da parte que lhes toca (como nos diz relato crítico do
portal da Câmara Municipal), ficando o edifício em autêntica
máscara carnavalesca, afinal cópia fiel do famoso quadro que
nos era, não sei se ainda é, oferecido pelos Correios e Caixa
Geral de Depósitos (também a partilharem um mesmo edifício).
Pinturas à parte, é sempre bom recordar que a Casa dos Arcos
guarda História entre as suas paredes e que nem todos os santacombadenses conhecem. Na memória em lápide que encima
o portão principal pode ler-se, o portal da cidade assim o
conta, que uma Catarina de Bragança, que era ou chegou a ser
Rainha de Inglaterra, lá pernoitou assim como seu irmão o
futuro rei D. Pedro II de Portugal... aqui Voz do Seven foi
tentado a "fazer história" e puxando pelo velhinho
livro que trouxe consigo descobriu que "este" Pedro é
nada mais nada menos que o bisavô de D. Maria I, Rainha de
Portugal, que por ter enlouquecido foi substituída por seu filho
D. João VI na condição de regente do reino.... e a partir
daqui já a História de Portugal se "mistura" com a
História do Brasil, lembrando então que o Imperador do Brasil
Pedro I (Pedro IV de Portugal) é filho do rei D. João VI que
rumou a estas paragens aquando das Invasões Francesas a
Portugal... para os amantes das curiosidades históricas (e só
para esses) aqui se registou.
Mas, para nós, a Casa dos Arcos guarda algo de mais nobre. Nela
está instalada o que o Seven um dia chamou de Jóia da Cultura
em artigo publicado no
Defesa da Beira. É verdade que outro tesouro se
ergueu (já eu morava por estas terras), mas a Biblioteca
Municipal jamais deixará de ser a minha jóia que em regime
aberto e com espectacular atendimento de seus funcionários me
permitiu aprender, conhecer e aprofundar o que a mente guarda e
que vai expondo publicamente de vez em quando. Aqui fica a
homenagem.
Por último e falando da foto que falta, vêm as lembranças de
infância, das espreitadelas através dos vidros dos portais para
apreciar o gerador da Central a produzir energia eléctrica
quando trovoada invernosa se lembrava de interromper o seu normal
fornecimento. Antes de rumar a estas paragens já tinha assistido
à reconstrução exterior do edifício da Antiga Central onde
foi colocado um belíssino Painel Geomorfológico sobre o
Miunicípio e agora é com regozijo que tomo conhecimento que a
reconstrução interna está a efectuar-se... e vem a propósito
fazer o pedido, que não sei se grandioso ou impossível, de que
a activação do gerador seja um facto para futuras
demonstrações a alunos ou à população em geral... e não se
cometer o mesmo erro feito na recuperação do velho moinho da
minha tia Emília.
Feliz da vida e um pouco mais agasalhado envio um abraço a todos... aos santacombadenses em particular.
Neves, AJ
| julho 22, 2005 02:09 AM
|
Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt
E que bonita essa terra é Seven!Pois fica sabendo que o meu grupo do tacho vai amanhã (hoje) novamente fazer a sua jantarada em Santa Comba Dão no restaurante da "Guidinha".Um grande abraço.
Afixado por: Agostinho em julho 22, 2005 02:30 AMO Pingú e a Zona Franca vão de férias. :) Até à volta!!!
Está-se mesmo a ver o que significa tudo isto p'ra mim!Por mais que nostalgia p'ráqui, nostalgia p'ráli ou p'rácolá, seja «doentia», eu não estou doente (felizmente!!!), mas é alguma que sinto agora.A central...quantas e quantas vezes na falta da electricidade, punha a cabeça em àgua ao velho Arnaldo (e outros), que lutavam contra a teimosia da máquina (que não pegava!!!),mas que tinha de se render aos homens que a obrigavam ( eram muito mais teimosos do que ela...!), e finalmente, um tanto envergonhada, lá chegava a luz ás casas (à minha não... por falta da instalação!? nunca de meios...!).Os putos da Ribeira deliravam com aquela atrapalhção toda. Quanto ao resto...(das fotografias), alí fui criado, pois era onde a minha mãe ganhava (trabalhando),parte do nosso sustento. Eu naquele tempo andava pelas arcadas (hoje o restaurante), a molhar o dedito nas pingas de leite condensado que caíam no chão (era o que havia para os galões que alimentavam os passageiros das "carreiras" que logo às oito da manhã proporcionavam uma enorme azáfama),comendo-o...!.Que tempos meu amigo...! eu não tenho vergonha de dizer isto!!!O resto (refiro-me às pessoas), eram quase como nossa familia e por isso, eram uns ou outros, padrinhos de baptismo e casamento de alguns de nós. Histórias...! muitas histórias!!! teria para contar destes locais, que quer queiras ou não, me deixam deveras nostálgico.Obrigado por me proporcionares esta revisão de «bons» e maus tempos.Um enorme abraço. Alípio Calisto
Afixado por: Alípio Calisto em julho 22, 2005 02:00 PMDeixar sem comentário, a obra do nosso Digníssimo Presidente Dr. Orlando Mendes (meu caro colega de escola),seria de todo injusto. Para além do imenso trabalho desenvolvido à frente da autarquia, tem contribuído decisivamente e de forma inteligente, para a grande visibilidade que Santa Comba Dão hoje tem fora de portas.São de louvar, os restauros em curso.É que preservar o nosso património, é não esquecer; as nossas origens e identidade. Os meus sinceros parabéns.Um grande abraço. Alípio Calisto
Afixado por: Alípio Calisto em julho 27, 2005 03:36 PMCaro Amigo Neves:
Já há muito que quería contactar consigo mas não sabia como, depois de saber que dispunha de um sítio na net onde expunha uns quantos textos.
Espero que tudo esteja a correr bem nesse Brasil que adoptou como país para trabalhar e para o resto da vida.
Estive a ler que ficou feliz por ter visto que as paredes da Casa dos Arcos e das Finanças foram, finalmente, caiadas (já era uma vergonha!). Mas, não se esqueça que este ano é ano de eleições autárquicas - eis a razão por que as paredes da Casa dos Barões foram caiadas.
Nesta terra tudo se faz por interesse, e os filhos e enteados politicos é uma coisa muito importante, creio que me percebe!
E pronto! Espero que a gente vá falando de quando em quando.
Grande Abraço do sempre Amigo:
Cristóvão Ramalho
Afixado por: Cristóvão Ramalho em setembro 5, 2005 02:58 PM