Ontem, dia 6 de
Novembro, foi o dia de minha mãe.
Levando em conta que na véspera tinha sido o
meu dia, digamos que eu fui o presente no seu 34º aniversário. Rica prenda,
modéstia à parte. Ontem, se a doença não a tem apoquentado mortalmente há quase três
dezenas e meia de anos, minha mãe festejaria 88 anos. Portanto, na altura da
partida minha mãe ainda não tinha atingido
os 55 anos, tendo assim apenas vivido cinquenta e quatro anos mais oito
meses e menos um dia. Atente-se que estas contas tão matemáticas só
terão validade se, com muita boa vontade, pudermos chamar vida aos dias e meses
(ou anos) vividos no estágio terminal de uma doença implacável. Porque na
realidade, meus caros amigos e amigas, garanto-vos que não
é vida, não senhor. Bem, como não temos por costume acrescentar à
nossa idade os noves meses que passamos no ventre materno a Natureza parece que
trata de os
descontar no final da vida.
Ao lembrar-me que anteontem atingi a (citada) idade
crítica dos 54 anos, constato (mais uma vez) o quanto faltou viver a minha mãe.
Na altura (quando fiquei amputado de mãe) não cheguei a avaliar bem o que era
morrer apenas com meio século mais uns trocados. Hoje, c'um raio, apesar de não
ambicionar andar por cá eternamente nem sequer outros tantos, acho que quem tem cinquenta e quatro anos merece viver mais alguns. Não que eu ainda pretenda fazer algo de extraordinário
(como não fiz o que deveria ter feito na altura certa, também não vou ser exigente) mas pelo menos "queria ver".
Não, nada disso que podeis estar a pensar porque apesar de a vista estar a ficar fraca
não porto mazela (penso eu de que...) que me possa levar à cegueira assim de um
momento para o outro. Este "querer ver" refere-se a ambicionar ainda andar por cá
para ter o prazer de usufruir. Mas
verdade seja dita que aqui não me basta viver, é preciso que outros,
principalmente uma terceira pessoa esteja pelos ajustes para satisfazer o desejo
de qualquer pai quando começa a envelhecer.
Despeço-me enviando em pensamento as desculpas à Rosa
minha mãe por só hoje evocar o seu dia e, nos entretantos, vou tratar de
preparar o bacalhau que vai pro
forno (e as batatas a murro), afinal tenho que aproveitar e como na Quinta-feira
não houve tempo para festas, vou hoje comemorar os meus 54 anos que,
curiosamente, quero depressa ultrapassados... idiotices!
Neves, AJ
| novembro 7, 2009 07:05 AM
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