A Caminho dos 50
Etapa II Antes de Mim
Meus futuros pais casaram em 1942 na Igreja Matriz
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Consta-me que teria sido de manhã cedo num dia qualquer da semana e não teria havido pompa nem circunstância, porque afinal tanto o Zé Neves como a Maria Rosa eram dois jovens oriundos de famílias humildes cujos recursos económicos eram escassos. Também me consta que as damas de honor não foram necessárias já que o vestido de noiva, de cor beige, não possuía cauda rastejante... era um simples conjunto saia casaco que moderna e pomposamente hoje apelidamos de tailleur. Na cabeça, a jovem noiva só usaria o tradicional véu que a Igreja Católica impunha às mulheres e nos seus cabelos apanhados afirmo com toda a certeza que nada haveria de grinaldas ou diademas e ainda bem, porque afinal para quê é que a beleza natural de uma noiva que vai ser a minha mãe quer esses apetrechos supérfulos?
Não
sei se os sinos da torre da Igreja repicaram à saída dos
recém-casados... talvez não, porque mesmo que também fosse
costume na altura coloco as minhas dúvidas que a simplicidade do
casal desejasse atrair a multidão. O que tenho a certeza é que
não houve a tradicional sessão fotográfica dos dias de hoje na
escadaria da Igreja e no espaço ajardinado adjacente, o Jardim,
que sempre conheci belo e bem cuidado, porque não se vá pensar
que a Igreja Matriz da minha Santa Comba natal está situada num
local ermo como a foto cimeira pode transparecer...
antes pelo contrário, toda a zona é cheia de vida, não fizesse
ela parte da entrada oeste da cidade em que o imponente Viaduto
em granito e o Jardim fronteiro ao Palácio da Justiça, o tal
que já falei e que sempre conheci como O
Jardim, fazem as honras da casa.
O
casal Neves, que não partiu em viagem de núpcias, foi viver
para a Rua do Outeirinho para casa da Ti Margarida, a única avó que tive
o prazer de conhecer embora as minhas lembranças sejam bem vagas
recordando no entanto a sua figura encurvada vestida de roupas
negras e os doces momentos passados à volta da lareira comendo
um prato de caldo de feijão ou umas castanhas assadas na
borralha.
Em plena Grande Guerra, o jovem casal viu nascer o primeiro de
seus filhos, o Zé... corria o ano de 1943 e no ano seguinte foi
a vez do Jorge ver a luz do mundo. Foi já com a guerra acabada
que nasceu mais um rapaz, o Assis... estava-se em 1946.
Com a prole já em razoável número de três, o ventre de minha mãe teve direito a tréguas... durante 9 anos.
Como em qualquer família tradicional, minha mãe tomava a seu cargo a lide da casa. Tinha como profissão, se se pode chamar de profissão visto que não é remunerada, o que hoje chamamos de doméstica ou dona de casa... cuidava dos filhos, educando-os, lavava a roupa e passajava, cozinhava, lavava a louça e sei lá que mais tudo feito sem maquinaria moderna... meu pai exercia a profissão de alfaiate em estabelecimento próprio numa pequena dependência do rés-do-chão da Casa dos Arcos, na Rua de Santa Columba. Provavelmente por ter aumentado a solicitação dos seus serviços (com a consequente necessidade de empregar operários) meu pai sentiu-se na obrigação de alargar os horizontes e transferiu a Alfaiataria Neves para loja de dimensões maiores sita no emblemático Largo do Balcão...
Os calendários marcavam o ano de 1955 e segundo relatos ainda se estava em Agosto, mas eu já dava sinais de mim no ventre de minha mãe e a três meses de Novembro todos se entusiasmavam com a desejada menina que vinha a caminho...
só que eu não estive pelos ajustes...
(a "história" vai continuar, como é óbvio)
Neves, AJ
| novembro 3, 2005 10:07 PM
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Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt
Olá amigão, não me digas que também és escorpião!!!a seres és boa gente... Olha amigo gostei imenso deste post taz um pouco de ti foi bom teres publicado, mas já agora quando fazes anos?.
Beijinhos amigo
Desta vez o meu comentário é um louvor. Louvo-te, pelas homenagens que prestas aos teus. P'ra mim, que estive sempre tão perto de todos os homenageados, direi, simplesmente, que eles (todos!!!), merecem. Não retiraria uma vírgula, ao muito que tens escrito nesta tua estante, àcerca dos teus entes queridos, pelo contrário, sublinho. Neste conjunto de fotografias (muito bom...!), fiquei a olhar demoradamente para uma, na esperança de me descobrir naquele grupo, mas ou, não fazia, ou já tinha feito parte. Um grande abraço do amigo:
Alípio Calisto
Os respectivos agradecimentos pelas vossas palavras elogiosas e animadoras... elas levam-me a continuar, mas a ter que esmerar-me cada vez mais para satisfazer as vossas "exigências".
Como vês cara Adryka já está explicada a razão de algumas "explosões"... quanto ao dia é segredo (já que as mulheres calam o ano, eu guardo o dia)... está atenta... o escorpião vai nascer, vai sair da toca muito muito brevemente...
Para o Alípio o meu lamento de ele não estar presente na foto da Alfaiataria... nem sei quem eles são, tirando tá claro meu pai, cuja calvice está a desabrochar em mim, e os meus 3 irmãos lá ao fundo, mas só os "descobri" porque recebi a respectiva informação do Assis que também me ofereceu a foto, ainda este projecto de falar de mim, de nós, não o era. Após teres consultado a estante que é o Voz (como é bom voar ao passado, não?) coloquei a foto da Ti Margarida, minha avó, que tu conheceste melhor que eu... podes recordar a sua figura, porque o "link" já foi feito.
Um abraço para vós e preparem-se...
ELE VEM AÍ...
Com amizade...
Talvez te não lembres de mim porque, para ser sincera, tu és dos meus quatro primos, aquele de quem não tenho fortes recordações de infância. São quase oito anos de diferença e na infância isso é um rio muito largo... Sou filha da tia Casimira e leio-te com um imenso prazer e uma forte emoção, regularmente, desde que o Assis me deu o teu blog. E só por inércia ainda não te tinha dito como compartilho contigo as saudades dos nossos entes queridos, em particular os teus pais e nossa avó.Aplaudo as homenagens que lhes fazes e agradeço-te do fundo do coração toda a sensibilidade que transmites nessas memórias e que eu posso, deste modo, usufruir.
Sou da geração do Jó mas é com o Assis que realmente tenho mais convivência, talvez por ele ser afilhado de meus pais.
Vou continuar a ler-te atentamente e tentar ser menos preguiçosa,registando as impressões que os teus trabalhos me mereçam.
Até lá, um beijo da tua prima
Mª Elisa
Conforme disse em mails que já trocámos eu lembro-me perfeitamente de ti e de teu marido (e ainda namorado). Redijo este comentário unicamente para que fique registado nos anais do Voz do Seven, porque é de "escrita" (redigida ou oral) que a vida terá sentido já que um "homem" sem raízes nem grão de poeira ao sabor do vento chega a ser.
Agradeço-te os aplausos à minha escrita por, segundo tuas palavras, homenagear os nossos entes queridos, mas quero confessar-te Maria Elisa (a ti e a todo mundo) que quando parti "para isto" não pensei exactamente em homenagear, aliás nem sei se realmente cheguei a pensar... senti algo inexplicável (a distância de casa?)que me levou a exteriorizar o que gostaria agora de conversar, de recordar falando, se a "lei da vida e da morte" me tivesse dado tempo. Tens razão quando falas na sensibilidade...esta escrita que lês vem de dentro e é solta, livre de amarras em que o pensamento ordena e os dedos obedecem cegamente... só depois "arranjada" e corrigida aqui e ali para a tornar pública.
Beijinho de agradecimento e como te disse, adoraria que comentasses mais vezes... quanto ao "falar de mim e dos meus, nossos".a seu tempo.... prometo.
Assino-me tal como me conhecias
Gostei imenso de conhecer melhor a tua familia e de ter noticias tuas.DÀ NOTICIAS
Afixado por: Angelo quintela em julho 4, 2006 09:48 PM