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Onde estavas no 25 de Abril, pá?
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Foi bonita a festa, pá fiquei contente 'inda guardo renitente, um velho cravo para mim ... Sei que há léguas a nos separar tanto mar, tanto mar Sei também como é preciso, pá navegar, navegar Chico Buarque |
Filosofia... aula das oito e trinta ou 9 horas, já não recordo muito bem. Só sei que é a primeira do dia.
Toque-toque... o meu pensamento e, certamente, o de todos os meus colegas de turma voa p’ra celebérrima expressão “quem é c’abra”. Não é ouvida, porque quem a costuma dizer está do outro lado da porta.
Silêncio sepulcral...
O Director entra sala adentro e interrompe-nos o raciocínio dos silogismos que mesmo partindo de premissas verdadeiras poderão dar conclusão falsa se construídos incorrectamente o que tornava a Lógica... ilógica e se me alongo em tal dissertação é porque ainda hoje muitos dos nossos políticos usam estes ardis falaciosos para “dar a volta” ao Zé Povinho.
- Acabou a aula e também já não há mais aulas hoje. Vão para casa!
A comunicação do “mestre” cai que nem bomba carregada de estupefacção e talvez incentivados pelo (incomum) tom calmo, atrevemo-nos a perguntar
- Porquê?
- Houve uma revolta...
- Revolta? De quem? Contra quem? Porquê, p’ra quê?...
Tanta interrogação de alunos pré-universitários verdadeiramente ignorantes.
As respostas também pouco esclarecem.
- Rebelião da tropa.... em Lisboa...
Em grupo e em algazarra subimos num ápice a íngreme “calçada do colégio”.
Perguntamos às pessoas o que se passa. Também elas pouco ou nada sabem... ou então, habituadas que estavam ao “sistema de muitas incógnitas”, preferem continuar de boca cerrada.
Entramos no “Snack-bar” e deparamo-nos com alguém letrado em palestra livre e esclarecedora do que se estava a passar. Caladinhos (ainda)... ouvíamos atentamente. Fomos sentar, lá atrás da “vitrina dos chocolates”, à mesa escondidinha do canto. Da coluna de som mesmo por cima das nossas cabeças (já menos ocas) brotavam sistemática e unicamente acordes de marchas militares intercalados de tempos a tempos por informações do que se passava na capital do país e relatadas em voz pausada
- As Forças Armadas Portuguesas encetaram um Movimento com o objectivo de derrubar o regime político vigente... o Aeroporto Internacional de Lisboa foi tomado pelas forças revoltosas e encontra-se encerrado... foram também tomados o Rádio Clube Português e a RTP... as tropas cercam o Quartel do Carmo onde se encontra o Presidente do Conselho... aquele Movimento pede à população para manter a serenidade e não abandonar as suas casas...
Mas, o Povo saiu à rua... num dia assim nada nem ninguém lhe conseguia manter as amarras e adere em massa ao Movimento. Vendo que a resistência do regime é nula, esse Povo já canta LIBERDADE e
coloca flores nos
canos das armas empunhadas pelos soldados
...CRAVOS...CRAVOS VERMELHOS, que se tornaram o símbolo eterno da Revolução d’Abril.
À mesa, no nosso cantinho, nós discutíamos os acontecimentos... finalmente podíamos estar em reunião a falar do que quiséssemos. Não o sabíamos fazer, é uma verdade, mas a culpa não era nossa... era doutrem.
Era-nos dito que o regime ditatorial que nos governava havia 48 anos tinha tombado e que do programa do Movimento das Forças Armadas constava o fim da guerra colonial. Ainda sem sabermos como era preciso, pá... navegar, navegar... rejubilávamos com uma certeza :
- Eh pá, já não vamos à tropa!
Neves, AJ
| abril 25, 2004 12:36 PM
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Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt
Eu estava na barriga da minha mãe, pá :P
Afixado por: mago em abril 23, 2004 08:27 AMFelizardo... E quando viste a luz do dia, pá?
Afixado por: Seven em abril 23, 2004 09:35 AMEu estava, tal como tu Neves, no colégio de Santa Comba Dão. Soubemos da notícia durante uma aula de Inglês. Muito de bom trouxe o 25 de Abril para o colégio e para as nossas vidas!
Afixado por: António em abril 23, 2004 07:52 PMAmigo António, desde já o meu muito obrigado por teres colocado um comentário a um dos meus escritos. Foste o primeiro "conhecido da banda daí" a fazê-lo. A ti António que muito contribuiste para a concretização deste projecto o meu obrigado mais uma vez pelas preciosas ajudas.
Afixado por: Seven em abril 23, 2004 09:13 PMO 25 de Abril é um dia importante para toda a gente!
Porque foi o dia em que começamos a ter liberdade!
Nao sei bem ao certo, mas se nao tivesse havido a revolucao dos cravos hoje talvez nao estaria aqui.
Um abraco deste teu antigo pupilo e amigo
Orlando