Crónicas Minhas
Um Atlântico mais insignificante que riacho...
Diz-se que o bom filho a casa torna e,
deixando pra lá a discussão dessa qualidade, aqui me
tendes em regresso ao Defesa (embora de forma fugaz) porque mesmo
tardiamente, os agradecimentos devem, têm de ser feitos e fica
desde já explicada a razão um, a principal, desta minha prosa.
Poderá ela, a prosa, abranger outros aspectos (a mente o ditará
na devida altura) mas certamente compreendereis que com o passar
do calendário e comigo a milhares de quilómetros cada vez se
vai tornando mais difícil redigir sobre e para o engrandecimento
da nossa Santa Comba. É certo que na era das novas tecnologias,
com constante e rápida informação a circular pelos ares, as
notícias chegam até mim em tempo real, mas muitas vezes não
escrevo devido ao receio da imprecisão (seria texto abundante em
tempos condicionais e suposições... penso eu de que, talvez
ou certamente) e convenhamos que eu passaria a ser presa
fácil, e até sei que já o fui, das vozes mais radicalmente
conservadoras atacando-me por escrever sem presenciar os
acontecimentos in loco. Também poderia escrever
crónica abrangendo tema mais geral, sobre Portugal, o Mundo ou
sobre a São Paulo onde vivo ou até expor divagações da mente,
mas acreditai que fico constrangido só por imaginar que
poderíeis pensar que eu andaria em busca de promoção pessoal
ou de publicidade para os meus escritos... bem e depois, depois
há o Voz do Seven que, por exigência de dedicação, me
"rouba" bastante concentração e tempo às outras
coisas que desejava fazer, que neste caso seria escrever
(mais) para vós leitores deste semanário.
Voz do Seven... os leitores mais assíduos do Defesa certamente
saberão que ao falar do Voz do Seven (no dia 1 de Abril
completou um ano de vida) me refiro a um espaço virtual,
mas bem real, que criei e que vagueia pelas ondas da internet e
que o nosso distinto colaborador senhor Carlos Ribeiro teve a
gentileza de o publicitar e elogiar (em demasia, note-se) num dos
números deste jornal no princípio do mês passado. Em
antecipação aos habituais finais de agradecimento et cetera
e tal, quero desde já registar o meu agradecimento a
este amigo, que me conhece desde o berço (ou talvez antes) e que
me viu crescer e evoluir nas brincadeiras lá pelas bandas do Balcão.
Quero (também) que esta nossa amizade fique nos anais do Defesa
da Beira e que conste que foi fortalecida pela cúmplice
colaboração nas suas páginas e ainda quero escrever (com aquela
pontinha de saudade que por vezes nos ataca e que até
dizem que é sinal de velhice) o que está a efluir da minha
memória neste momento... os tempos de (minha) infância... a
passagem p'lo "Ribeiro fotógrafo" pedindo carrinhos ou
carretos, já nem lembra o nome, que despidos dos filmes
fotográficos (a preto e branco) iriam servir para animadas
brincadeiras... e não deixo de recordar também, aqui com um
sorriso nos lábios, a luta do fotógrafo em tentar
descontrair-me cada vez que a documentação ou a Escola me
obrigava a posar para a posteridade, mas eu, tal como nas idas ao
barbeiro, mantinha-me mais hirto que sardinha ou carapau em
banhos de sol.
Com o tempo e o espaço a escoarem, estou com a estranha
sensação de que o texto está superficial em demasia, mas fico
quase sempre sem jeito quando redijo sobre mim ou comigo
relacionado... que a (vossa) compreensão impere. Fica a promessa
de que irei inventar um tempinho para vos dedicar um escrito de
vez em quando e finalizo a presente crónica com aquela
saudação que (dizem as normas da boa escrita) deveria
ser inicial, mas que no fim também é aceitável e se não o é
passa a ser, como diz José Saramago. Apresento então os meus
sinceros cumprimentos a todos os leitores do Defesa da Beira, com
uma deferência bem carinhosa àqueles que antes me liam e que
eventualmente ainda me lêem no "meu" Voz do Seven, que
embora o apelide inexplicavelmente de masculino é a voz do que
me corre na mente e apesar de não ser jornal, também não é
mero caderno de apontamentos... será, talvez, como naquele
velhinho anúncio publicitário ao refrigerante Sumol
... será aquilo que os outros não são!
Ainda a tempo
Embora tardiamente, mas sempre a tempo, ofereço à MULHER o
que construí com imenso prazer e que publiquei no Voz no Dia
Internacional da Mulher em 8 de Março.
Neves, AJ
| abril 11, 2005 05:50 AM
|
Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt