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Todos gostamos de pescar... seja o que for... e nem que seja no prato. Esse aí parece que tentou pescar a atenção dum qualquer presidente... Voz do Seven aproveita a onda e serve-se dele como isco tentando pescar subscritores para o seu espaço (e não custa nada... é só colocar o e-mail e enviar). É a chamada lei da pesca, lei que paradoxalmente nem sempre tem regras e então damos-lhe o nome de lei da selva... mas aqui, a nossa lei é outra e por estarmos a falar de pesca lembrei-me que há uns anos atrás...
Há vinte anos talvez... ainda o fruto da minha
existência era aí do tamanho de uma avelã, também tive a maniazita de ir à
pesca. Note-se que este ir à pesca nada tem a ver com apanhar peixe, pois
fosse lá pela razão que fosse, desde a falta de técnica à impaciência de
estar sempre a ver se a isca ou o isco (no caso o sexo não deve interessar) ainda balouçava no anzol, o peixe andava sempre
arredio.
Os "culpados" desta minha afeição pela pesca foram dois dos
meus sobrinhos, eram eles (mais) jovens. Um deles até tinha por costume no dia
último da semana, pernoitar na minha casa do Outeirinho e de
manhãzinha lá íamos felizes da vida apanhar o Caminho da Ribeira ou do
Matadouro que nem sei se já foi engolido pelas silvas... espero que não.
A
Franca era o destino e ainda o Sol estava a despontar já as canas de pesca
estavam armadas com os anzóis na ponta da linha e tudo... trabalho este nada
fácil para mim já que a tal impaciência tornava-me um inábil na matéria e
esta arte de empatar anzol é mesmo arte... era assunto para o outro parceiro,
como já disse, o filho mais velho do meu irmão mais velho.
A manhã corria
mesmo bem. Os pulmões eram menos fumigados, a "bucha das 10" ou a
"bóia", como por aqui se diz, era devorada com apetite e por
vezes, um distraído lá em baixo punha os beiços onde não devia e zás...
lixava-se e engrandecia o ego de quem cá estava fora.
Triste sina a de um
peixe que desde logo começa com o nome pomposo que damos a este passatempo: Pesca
Desportiva... convenhamos que para a boga, carpa ou bordalo, barbo ou
robalo, a pesca será tudo menos um desporto.
Uma outra coisa que me pergunto é
se as regras do condicionamento funcionam com estes animais. Durante
séculos, milénios, foi sempre a mesma coisa e não deveriam saber eles, os
peixinhos, que quando os primeiros raios da aurora penetram na água logo
aparece minhoca ou bola de pão, asticô ou morcão, como se diz lá pelo Douro interior,
dançando em trapézio armadilhado para os sacar fora do seu habitat? Será
burrice, instinto de começar outra cadeia evolutiva, quiçá mais perfeita ou
mero desejo de apanhar um pouco de sol? Se é este ultimo o seu desejo, bem, o único
bronzeado que vão ganhar é o do estrugido na frigideira.
Animados ou não com a pescaria, quando o Sol
atingia o pino era hora de zarpar... era hora de manjar. E com a recordação dos
odores do entrecosto a assar no carvão (ó carvão, que saudades) por aqui me
fico, frisando que o presente texto não retrata saudade, antes sim comemora
alegremente, fruto do gozo sentido na sua escrita, o Dia da Saudade...
e em antecipação ao
dia, 30 de Janeiro, Voz do Seven envia-vos cartão animado dentro de sobrescrito que
devereis abrir clicando duplamente sobre ele.
Neves, AJ | janeiro 29, 2005 06:13 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt