Falando (um pouco) de Cultura
... da nossa Cidade também e onde
não falta historieta metediça pelo meio!
Cultura
é o saber... é opinião
maioritariamente aceite. No entanto, as enciclopédias dizem que Cultura
também pode ser arte ou história de um povo e até pode estar referenciada com
o amanho da terra que, por óbvio, é matéria que escapa ao bom entendimento de
quem vos escreve e falemos, então, do saber!
Não só desse saber que vem nos livros
e que
outrora nos incutiam como a definição mais próxima de Cultura, mas também do saber próprio do povo. E não só o
cantar de Aleixo, mas também aqueloutro saber que permite ao cidadão
comum cubicar uma árvore ou uma pipa sem recorrer às “chatas” fórmulas
matemáticas servindo-se sim de simples artimanhas que não são mais que uma
harmoniosa combinação do saber científico (que um dia teria ouvido a letrado
qualquer) com o saber empírico fruto das experiências vividas.
Desde os tempos de jovem estudante que esse “saber
do povo”, por tão rico e enigmático, me intrigou e não resisto a relatar
episódio onde aprendi que não era condição obrigatória saber enunciar o
Teorema de Pitágoras para “tirar a esquadria” ou seja “tirar uma
perpendicular”. O teatro das operações era o “velho” Estêvão de
Faria, o argumento era a remarcação das linhas de campo de jogo e um dos
actos era “traçar a linha da área perpendicular à linha de
cabeceira”. Indecisão daqui e dali e eis que homem na altura ligado à
construção civil e (ainda) hoje dirigente carismático dos Pinguins
bradou: basta construir um triângulo com três, quatro e cinco como medidas
(dos
lados). Era, afinal, a aplicação fiel do Teorema.
A cena foi de tal modo marcante que ao longo dos anos
sempre me servi deste episódio como muleta pedagógica aquando da transmissão
do Pitágoras a jovens alunos de modo a propiciar-lhes, com suavidade e
alegria, uma solidificação mais forte desse conhecimento que (regra geral) era
adquirido à base de empinanço por não verem utilidade alguma de tal
“lenga-lenga” na vida real.
Com os ventos da mudança,
a Cultura deixou de ser tabu e passou
a ser vista com outros olhos. Pelos governantes e pelas gentes. Hoje não deve
haver Autarquia no nosso país que não possua pelouro consagrado aos assuntos
culturais da sua região e até as populações já têm consciência que aquele
conjunto de sentimentos, crenças, valores e costumes de uma dada comunidade é
também Cultura, tendo o cuidado de não
confundirem esse legado ancestral com algumas “tradições” que mais não são
que “glorificações bárbaras”
ao sangue e à morte.
Também as gentes da nossa cidade estão conscientes
que ao preservarem essa herança, estão a “fazer a sua História”, a
contribuir para o seu bem-estar e (em especial) para o crescimento saudável de seus filhos. Pede-se a criação de grupos (teatrais, folclóricos ou
outros) para que as raízes da árvore cultural santacombadense jamais deixem de
ser regadas e em escritos neste semanário os articulistas lembram as condições
(actuais e futuras) que Santa Comba oferece e não se cansam de incentivar a
juventude. Certamente que os jovens da nossa Cidade (é bom alertar que os seus
limites já ultrapassam os da freguesia de Sta Comba) estarão receptíveis a
propostas e eles próprios as terão. Ouçamo-las. E se problema houver (a
expressão “conflito de gerações” ainda não perdeu a validade) pois que
se aplique a velha máxima “se Maomé não sobe à montanha... que venha a montanha até Maomé”.
E
nesta “coisa” do que se faz e fica por fazer, é bom recordar (chovam as críticas
que choverem) que a nossa Autarquia muito tem feito a favor da Cultura, promovendo eventos, apoiando grupos já existentes e
incentivando à formação de novos, para além da criação de espaços
já sobejamente conhecidos e à disposição de todos, não me esquivando de
nomear o Espaço Internet, a Biblioteca Municipal (palmas pela
colocação do elevador nas escadas), o Pavilhão Gimnodesportivo
(Desporto também é Cultura) e esse “monstro sagrado” ainda em fase de
acabamento, a Casa da Cultura.
Aqui, com mágoa, sou obrigado a refrear a prosa, pois
a última imagem viva retratada na retina dos meus olhos são as pontas das
varetas de ferro (armado) a saírem dos primeiros pilares e o que sei da evolução
da obra (segundo consta com provável inauguração ainda este ano) é-me
relatado pelas notícias neste semanário e no portal de Santa Comba Dão
na internet onde fotos explícitas ainda me mostram algo mais.
Já que falo no
nosso site
electrónico não posso deixar de exteriorizar o receio de ficarmos sem acesso
ao Fórum de Discussão. Este espaço aberto é (era?) um ponto de encontro de
santacombadenses onde cada um poderia expressar a sua opinião sobre temas
variados, com incidência natural sobre coisas da nossa terra. Para explicar
esse bloqueio do Fórum (em finais de Agosto) foi-nos dito que o portal se
encontrava em actualização e verdade seja dita que ela até se impõe visto
que o site não estará a responder totalmente às expectativas que cada
um de nós criou. Mais não nos resta esperar que a dita actualização seja rápida
e pedir que se leve em conta que lá por alguns inquilinos terem pintado as
paredes com mensagens de palavras mais abusadas não se pense em deitar a
casa abaixo quando outros querem continuar a erguê-la ... e assim driblar a
distância para continuarmos a sentir o aconchego do tecto materno.
E...
quanto ao “futuro” da Casa da Cultura de Santa Comba Dão, pois que
seja um espaço verdadeiramente cultural, que a população se associe e
participe e que os eventos não faltem. Em suma que o motor desta Casa jamais
pare por falta de combustível e que o lubrificante seja sempre o mais indicado
para eliminar todos os atritos.
SP, 27 de Outubro de 2003
Neves, AJ | abril 30, 2004 08:36 PM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt