abril 30, 2004
Dissertações Ribeirinhas

Dissertações Ribeirinhas...
(a propósito do Ambiente em S.ta Comba)

 

Mudar de opinião é um direito da mente de qualquer um. Não deve ser acto condenável se for desprovido dos useiros interesses pessoais que atropelam terceiros. E até se pode considerar acto evolutivo se a intenção é fazer melhor, como se julga no caso presente.
Tendo como premissa que "ovelha que berra é bocada que perde", também se pode considerar, com ligeira alteração, que facto ocorrido e não berrado na devida altura, deixa de parecer... notícia.
E deixou de ter sentido a ideia inicial de se incluir na peça "Ambiente em S.ta Comba" -publicada neste número- o que neste momento se expõe.
Ribeira d'águas turvas...
Optou-se e pensa-se que bem, destacar em artigo independente o que se está a passar com a Ribeira das Hortas. Ao mesmo tempo que se faz um alerta, dá-se voz aos discordantes.
Não desejando emitir juízos falaciosos diremos apenas que, ultimamente, a Ribeira das Hortas tem períodos em que se mostra com "cara de doente". As suas águas apresentam-se sujas com turvação acizentada e não é raro manchas gordurosas boiarem à tona, mais evidente no remanso junto à vivenda dos palmípedes.
Mistério!
Se padece de alguma enfermidade e se esta é ou não grave, são factores que já fogem à alçada de quem escreve. Este deve unicamente preocupar-se em dar corpo ao que observa e fazer relato com isenção.
 E, mais do que uma vez, "estes olhos que a terra há-de comer" constataram os sinais acima descritos. Transeuntes, que já se tinham apercebido e justamente criticado, garantiram-nos que tal acontece de segunda a sexta-feira.
Na tentativa de dar ajuda aos técnicos analistas das questões ambientais, recorde-se então que as "crises" são ao final da tarde de cada dia de trabalho e  que ao fim-de-semana dá ideia que a Ribeira recupera.
A dúvida instala-se e especula-se.
Despejos? Fixos ou ambulatórios? Onde? Ruptura de tubagem?
Em exame complementar acrescente-se que a fauna piscícola parece que desapareceu. Morte ou migração dos pequenos peixes para paragens de águas mais limpas? Pura coincidência ou consequência imediata dos efeitos dos materiais lançados no pequeno curso de água?
Têm a palavra as autoridades sanitárias e autárquicas não necessariamente por esta ordem.
Ribeira de paredes limpas...
Com a chegada de temperaturas mais amenas, os passeantes ao longo da Ribeira são cada vez em maior número.
Zona ademais contemplada, admirada e readmirada tanto por visitantes como por gentes locais é quase imperativo um bom e contínuo estado de conservação e embelezamento.
É, pois, com satisfação que se regista a limpeza das paredes e do leito da Ribeira das Hortas.
O "Recanto" junto à arcada em pedra que faz ponte entre os Largos Eng. Urbano e do Município, está mais apresentável. Mas continuamos com a teimosia de que o tufo de palha-tabúa (ou que outro nome tenha ou que lhe queiram dar) merecia desbaste lateral. A relação água/vegetal dá a ideia de rosto desaparecido no emaranhado de cabeleira farta e despenteada.
Não podemos deixar de alertar que dois dos "bancos de jardim" sobranceiros à Ribeira não podem ser utilizados impedindo as pessoas de usufruirem descontraidamente a sombra de árvore próxima. Verdadeiro contra-senso este vegetal. Fornece apetecível sombra, mas ao mesmo tempo derrama uma resina que poderá colar às travessas do banco o "coiso das calças" do mais distraído.
Fazer "desaparecer" os bancos durante o tempo quente de modo a impedir a ida precoce das vestes à lavandaria? É ideia bem estúpida.
Abate da árvore e permanência dos bancos? Ideia ainda mais estúpida que nem deveria ser escrita.
E sem sugestões plausíveis, será melhor ficarmos por aqui!

Neves, AJ | abril 30, 2004 09:22 AM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt

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