abril 30, 2004
Mirando o... Miradouro!

  Mirando o... Miradouro!

Ninguém terá dúvidas da força que a Imprensa exerce sobre a sociedade. Seja ela nacional ou regional, diária, semanal ou mensal, desportiva ou não.
Tanto poderá ser em mero artigo informativo como de opinião.
Mas uma das maiores armas da Imprensa é "dar voz ao Povo". Funciona, muitas vezes, como veículo de alerta a "instâncias superiores" dos problemas que afligem uma dada população e que por descuro ou desconhecimento carecem de resolução. Também não é a primeira vez que denuncia situações mais obscuras.
Diga-se que, por vezes, é motivo de frustração. Transcreve-se o que se vê ou o que uma boa fatia das gentes entende errado e ... nada. Ninguém liga patavina e o problema eternamente continua.
Mas, nada nem ninguém é puro.
A Imprensa também tem defeitos.
Não por culpa do papel, tinta ou caractere e sim daquele que intencionalmente redige ou omite uma simples vírgula de modo a desvirtuar a verdade dos factos.
Afinal, o jornalista também é Homem e este, de um modo geral, adora manipular.
Com tal título em epígrafe, que terá levado o articulista a tais divagantes dissertações?
Ao mesmo tempo que dá prazer aos fiéis leitores que apreciam a sua enleada prosa e o animam a continuar, aos outros afirma que, parafraseando o poeta Ary dos Santos, escriba castrado jamais será.
Mas, chega finalmente ao cerne do que o levou a escrever, não deixando ainda de apontar mais um dos defeitos de quem escreve. É dado o alerta do que está errado, mas com o erro reparado ou remediado, muitas vezes não se "agradece", enaltecendo.
E o pequeno Largo do Outeirinho já está mais bonito.
Foi esclarecido o articulista que foi obra reparadora da Câmara Municipal, coadjuvada pelo precioso auxílio dos Bombeiros Voluntários e da Somitel.
Escrupulosamente aparada dos braços supérfluos, a velha sobreira mais se assemelha a esbelta jovem despida de vestimenta e com copada cabeleira bem penteada.
Também podadas foram as selvagens ramagens, que somente cumprem o natural ritual do crescimento, das árvores a seu lado. Para que o visitante melhor possa usufruir da magnificente paisagem que a retina de seus olhos fotografa.
Melhor a apreciará se ao imponente Penedo escalar por caminho empedrado e bem arranjado. Ficou triste o autor destas linhas por não poder narrar sobre a velha oliveira, companheira do enorme rochedo, que tanta sombra em dias de radioso Sol lhe ofertou de modo a fazer leituras mais agradáveis. Mas, deixou de marcar presença no local.
Há sempre aquele triste dia em que as raízes se despegam do solo da vida.
Como tudo ou quase tudo neste mundo!
Mas, também não há bela sem senão.
Acreditando que tal irá acontecer, pede o articulista que os limítrofes canteiros se tornem residência e fonte de alimentação de harmoniosos e multicolores membros da vida vegetal de modo a dar mais graça a tão familiar espaço.
E que aqueles montes de terra, sobras de alguma restaurada obra, sejam espalhados de modo a não parecer mal aos visitantes e ao mesmo tempo se ganhar terreno ao vazio da encosta do pequeno outeiro.
Desejo também era seu que pequeno, mas estrategicamente colocado, depósito de lixo marcasse presença no local, desconfiando, no entanto, que alguns dos seus embevecidos nocturnos visitantes jamais o vejam. Preferem o "prático" baldear para além da janela do automóvel ou do granítico muro, dos "esperdícios" da terna refeição.
E falando na bonita cercadura, que para além de impedir quedas convida ao relaxe nos seus bancos, será  possível a restauração dos seus azulejos, vandalizados pelo tempo e por reles aprendizes de pedreiros e pintores de obscenas palavras?
Desligado da realidade, em êxtase panorâmico desafia os Amantes da Natureza a uma visita.
(Redigido em Março 2002)

Neves, AJ | abril 30, 2004 07:47 AM | Voz do Seven 2 | Voz no SAPO.pt

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