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Uma publicação jornalística jamais deve ficar imóvel.
Afirme-se inclusive que é proibitivo parar. De facto, as máquinas impressoras
poderão permanecer no maior dos silêncios, por justo prémio após um ano de
trabalho, mas a alma mater de um jornal, o artigo, está em constante
ebulição. Tanto que a inspiração ainda não faltou e o material não
escasseia.
Mas, se por um lado
a escrita é relaxante quanto baste, ajudando-nos
a “dar a volta” em momentos menos agradáveis: ora no combate à ansiedade
em vésperas de salto transcontinental ora na forma sensata e ponderada de
exprimir desabafos
por outro lado
pode levar-nos a cometer pecado, porventura
venial, se a sua divulgação só ocorrer após um período de tempo mais ou
menos longo. Que, verdade seja dita, é lapso facilmente colmatado com pequeno
esforço de localização temporal por parte dos leitores.
E em uma das
habituais deambulações ribeirinhas (que já se estavam a tornar penosas
dado o aspecto deplorável da Ribeira) os nossos olhos congratularam-se ao verem
que o alindamento da Ribeira das Hortas não deixou ainda de ser preocupação
dos nossos gestores autárquicos.
Fosse por se aproximarem as festas da nossa
terra (anunciadas como Festas da Cidade e ficando por compreender que noutro
local da sua área também se realizasse romaria) ou fosse por ser a zona mais
fortemente apreciada, o trajecto entre a Relva e a Ponte/Viaduto das Hortas foi
o único privilegiado. Contudo, deseja-se que o restauro de todo o curso
da velhinha ribeira (e a isso tem direito) vá para além do sonho...
Mas, aquele
trajecto maravilhoso da Ribeira das Hortas merece mais umas linhas de
dedicação. Está à vista de todos que está enfermo. Durante o Inverno os
sinais da doença de que padece estão mascarados, mas quando a água escasseia
no período estival constata-se que sofre de maleita grave. É doloroso observar
os aristocráticos palmípedes a nadar no betão. Para onde foi a água?
Evade-se naturalmente? Então averigúe-se e limpe-se o leito, nem que seja até
à nascente. É desviada pela mão humana? Então fiscalize-se e tomem-se
providências. Tanta interrogação... E realce-se que o ano nem foi de seca.
Mesmo em anos tais, há que estudar formas de regular o caudal da Ribeira das
Hortas. Para isso é que foram construídas as represas.. ou não?
E como pode
acontecer que haja escorrência de esgoto a céu aberto numa zona que foi útero
e também (ainda) coração da nossa cidade?
Com preocupação de não retirarem
a (pouca) areia ainda existente no leito da ribeira, homens e máquinas raparam
cuidadosamente a lama acumulada sobre ela. Não restarão dúvidas a quem “tenha
dois dedos de testa” que esta camada lodosa e negra, brilhante e oleosa,
pestilenta e outros qualificativos de produtos petrolíferos será a causa mais
que provável pelo desaparecimento da fauna piscícola outrora tão abundante
nestas águas. Investigue-se e administre-se remédio. Com ou sem dor...
Os
vegetais (teimosos) das paredes foram mais uma vez cortados e a palha tabúa
do recanto mereceu desbaste correcto e aprimorado. Como agora se apresenta temos
prazer em o denominar de tufo.
Ao tempo que redigimos, com nulas hipóteses de o
comprovarmos pessoalmente, perguntamo-nos se também as pedras graníticas da
ponte centenária e das paredes ribeirinhas irão ser lavadas.
O Chafariz da
Ponta Praça é que deveria ser merecedor de atenção mais esmerada. Diríamos
até que tamanha falta de cuidado para com ele é afronta à memória dos nossos
antepassados.
Já secular, esta obra arquitectónica de estrutura hexagonal é,
para além de ex-libris do local, um verdadeiro Compêndio que
encerra páginas e páginas de admiráveis episódios do quotidiano
santacombadense de outrora: o convívio domingueiro, os bailaricos, os
namoricos... O facto de acreditarmos de a génese de muitos de nós ter tido
como ponto de partida os encontros namoradeiros junto a este chafariz, leva-nos
a sentir vergonha por estar votado a tal desleixo. Se a abolição do
estacionamento (desregrado) automóvel à sua volta ainda não é possível por
ora, que se eliminem pelo menos os musgos e as folhas caídas na caixa-d’água.
E que se invente forma de a água que jorra da única bica resistir aos ventos e
passe a “acertar no alvo”, impedindo assim que o granito cimeiro do
reservatório e o chão à volta estejam permanentemente alagados.
Actuar,
embelezando, para negligenciar de seguida não é norma em parte alguma do
mundo!
E (jamais descurando o pensamento anterior) avance-se afirmando, que
em dia de Verão é de aplaudir o jorrar de água, por agulheta saída de
camião cisterna, ao longo das Ruas Mouzinho de Albuquerque e Alexandre
Herculano (e uma ou outra adjacente). Não que a temperatura que se fazia sentir
na altura fosse excessiva, antes talvez pela urgência (tardia) em retirar o
surro aos cubos dos empedrados.
É certo que nalguns pontos foi lavagem de pouca
dura, o que se lamenta, mas pelo menos ficou esclarecido o mistério de algumas
manchas escuras no chão das ruas da nossa cidade. Seguindo a pista dos salpicos
chegamos à conclusão que afinal o “carro do lixo” também é capaz de
desempenhar missão contraditória à que se propõe, sujando. Desconhecendo se
o alerta já foi dado à empresa responsável, fazemo-lo nós e aproveitamos
para sugerir uma lavagem mais frequente aos contentores do lixo.
E já que
estamos em matéria de asseio, festeje-se também a limpeza da Quelha
junto à antiga latoaria. Será despropositado, mas lembra-se ao cidadão comum
que deve cumprir as regras básicas da decência para não haver azo ao
fechamento da citada viela do lado da Alexandre Herculano, continuando nós sem
compreender a razão de se manter tapada a “porta” do lado da ribeira.
Finalize-se
a crónica (que já vai longa) com o sonho de um dia assistirmos a uma
regulamentação ordenada do trânsito na cidade de Santa Comba Dão. De
muitos casos a enumerar, redigir sobre o caos automobilístico da Alexandre
Herculano e artérias circunvizinhas é partir em busca de inimigos. O problema
agudiza-se dia para dia e é motivo de altercações frequentes. Não dá para
entender que se estacione “à vontade do freguês” e que se insista em tomar
esta via em direcção à zona do Mercado quando a nossa cidade já oferece
alternativas viáveis, mais rápidas e mais seguras. É forçoso encontrar-se
uma solução. E uma delas passará pelo fecho ao trânsito (parcial ou total)
daquela estreita rua com denominação do maior historiador português, tal como
aconteceu com a Mouzinho de Albuquerque, o desbravador de terras inóspitas
africanas, e que hoje se constata ter sido medida acertada.
E com tal medida já
os Largos da Ponta Praça e do Município ficariam libertos dos anárquicos
estacionamentos que só os descaracterizam.
Problema (grave) recente é o que
surgiu no polémico cruzamento da Rua de Treixedo com a parte transitável da
Mouzinho de Albuquerque, à farmácia.
Não bastando a balda no aparcamento da
zona (na Rua de Treixedo nem existem placas identificativas), a montagem de grua
a ocupar parte da via veio reduzir o espaço de circulação automóvel e em
certas alturas é a desordem completa. À hora de redigirmos, já pelo menos os
rodados de dois veículos tinham visitado o fundo da valeta desmesuradamente
cavada (a exigir reparação urgente) mesmo em frente a estabelecimento
comercial de flores e presentes. E se novos transtornos não surgiram, eles
virão aí.
Atrevemo-nos a sugerir o condicionamento da circulação automóvel
no local, que passaria pelo impedimento do trânsito na Rua do Casal no sentido
do Engenho ao citado cruzamento. O automobilista teria como alternativa a subida
da Humberto Delgado, tomar a Heróis do Ultramar, descer a Rua de S. Estêvão e
virar à direita pela Adelino Amaro da Costa para a Sá Carneiro...
... É tempo
de partirmos.
Fiquem em paz e divirtam-se com os Anjos
Neves, AJ
| abril 30, 2004 08:15 PM
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Voz do Seven 2 |
Voz no SAPO.pt
muito fixe!
Afixado por: Sarah em março 13, 2005 07:26 AM